Da Redação
O psicólogo Manoel Neto, mestrando da Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi encontrado sem vida na cidade de Santo Antônio de Jesus. Ele, que cometeu suicídio, é natural de Amargosa e era conhecido por debater questões étnico-raciais nas redes sociais e no meio acadêmico.
Horas antes da morte, Manuel publicou uma carta aberta relatando um episódio de racismo que afirmou ter sofrido em um camarote de Salvador, durante o Carnaval.
No texto, ele contou que tentava passar de um espaço para outro quando pediu licença, de forma educada, a um homem branco que bloqueava sua passagem. Segundo o relato, o pedido foi ignorado repetidas vezes, como se ele “não existisse”. Ele afirmou que apenas após reagir de maneira mais firme conseguiu seguir caminho.
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Na carta, Manuel refletiu sobre o que descreveu como uma expectativa social imposta a homens negros. Para ele, a sociedade não espera cordialidade, mas violência, e situações como a vivida revelariam formas sutis de racismo, marcadas pela invisibilização e desumanização.
A morte causou forte comoção em Amargosa, em Santo Antônio de Jesus e na comunidade acadêmica. Amigos, colegas e estudantes lamentaram a perda e destacaram a importância de ampliar o debate sobre racismo estrutural e seus impactos na saúde mental.
O caso reacendeu discussões sobre os efeitos do racismo estrutural e as consequências psicológicas de episódios de discriminação, especialmente quando vivenciados de forma recorrente.
Se você ou alguém que você conhece está passando por sofrimento emocional, é possível buscar ajuda gratuita e sigilosa pelo telefone 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV). O atendimento funciona 24 horas por dia.

