sábado, 31 janeiro, 2026

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Pulgas estão entre as principais causas de dermatite em pets

Da Redação

Considerada uma das principais causas de doenças dermatológicas em cães e gatos, a dermatite alérgica à picada de pulgas (DAPP) é uma reação de hipersensibilidade à saliva do parasita e pode provocar coceira intensa, inflamação da pele, feridas e infecções secundárias. Mesmo uma única picada é suficiente para desencadear o quadro em animais previamente sensibilizados.

A DAPP não deve ser encarada como um problema simples ou passageiro. “É uma condição alérgica séria, que compromete a qualidade de vida do pet. A coceira constante causa lesões dolorosas, favorece infecções por fungos e bactérias, interfere no sono, no apetite e até no comportamento do animal, além de agravar quadros pré-existentes, como dermatites atópicas”, explica a médica-veterinária Farah de Andrade, consultora da rede de farmácias de manipulação veterinária.

Entre os principais sinais clínicos em cães estão prurido intenso, vermelhidão, crostas, feridas, lambedura excessiva – inclusive nas patas – e queda de pelos. As lesões costumam aparecer com maior frequência na região lombar, base da cauda, abdômen e parte interna das coxas, sendo muitas vezes confundidas com outras doenças de pele.

Nos gatos, o diagnóstico tende a ser mais difícil, já que os sinais clínicos podem ser mais discretos. Ainda assim, lesões em pescoço, cabeça e região dorsal, além de falhas no pelo, são indícios importantes que merecem investigação veterinária.

Ciclo das pulgas exige controle ambiental

Para compreender a gravidade da DAPP, é fundamental entender o ciclo das pulgas. Estima-se que apenas cerca de 5% da população esteja no animal adulto, enquanto aproximadamente 95% permaneça no ambiente, na forma de ovos, larvas e pupas. Isso explica por que o pet pode ser reinfestado mesmo após o tratamento.

As pulgas adultas iniciam a postura poucas horas após se alimentarem do sangue do hospedeiro. Um único parasita pode produzir até 50 ovos por dia, que se espalham por tapetes, sofás, camas e frestas do piso. As pupas permanecem protegidas por casulos resistentes e podem sobreviver por semanas ou meses até encontrarem condições favoráveis para eclodir.

“É por isso que tratar só o animal não resolve. É indispensável o controle ambiental com produtos adequados, aspiração frequente e lavagem de tecidos. Do contrário, o ciclo se reinicia e o quadro alérgico persiste”, orienta a veterinária.

Tratamento individualizado e manipulação veterinária

O tratamento da DAPP envolve mais do que eliminar as pulgas. Além do controle parasitário, o plano terapêutico pode incluir anti-inflamatórios e antipruriginosos para aliviar o desconforto, como prednisolona, dexametasona, oclacitinib e ciclosporina. Antibióticos e antifúngicos são indicados quando há infecções secundárias.

Suplementos e nutracêuticos, como ômega 3 e 6, zinco e biotina, ajudam a fortalecer a barreira cutânea e acelerar a recuperação da pele. Fitoterápicos e compostos naturais, a exemplo do óleo de Neem, Aloe vera, própolis e calêndula, também podem ser usados como terapia complementar.

A manipulação veterinária permite a personalização do tratamento conforme o peso, a espécie e o grau do quadro clínico. Medicamentos podem ser formulados em doses exatas e apresentados em formatos mais atrativos, como biscoitos, xaropes, pastas orais ou géis transdérmicos, facilitando a administração e reduzindo efeitos colaterais.

“A manipulação veterinária permite associar ativos em uma mesma formulação, com dosagens ajustadas ao peso, à espécie e ao grau do quadro clínico. Além disso, podemos facilitar a administração com formas palatáveis e agradáveis ao pet, o que melhora a adesão ao tratamento”, destaca Farah.

Prevenção é fundamental

Por se tratar de uma doença recorrente, a prevenção é a principal aliada no controle da DAPP. O uso regular de antipulgas, o controle ambiental contínuo e as consultas periódicas ao médico-veterinário são medidas essenciais para manter a saúde da pele dos animais.

A especialista reforça ainda a importância da observação diária. “Coçar é comum, mas coceira constante é sinal de alerta. O responsável deve estar atento às mudanças de comportamento, à qualidade da pelagem e ao surgimento de lesões. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a resposta ao tratamento.”

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