segunda-feira, 16 fevereiro, 2026

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“Seca pode levar ao colapso os territórios da Região do Sisal”, alerta deputado baiano

Por Morgana Montalvão

A seca que atinge o interior da Bahia tem colocado municípios dos territórios do Sisal em situação de colapso no abastecimento de água. O alerta foi feito pelo deputado estadual e presidente do Solidariedade na Bahia, Luciano Araújo, que voltou a cobrar providências urgentes da Embasa e do Governo do Estado diante do agravamento do cenário.

Segundo o deputado, a situação já é “crítica e caótica” em algumas localidades, com comunidades que estão há mais de 30 dias sem água nas torneiras. Ele cita como exemplo o distrito de Valilândia, no município de Valente, onde o abastecimento está completamente interrompido.

“No distrito de Valilândia, no município de Valente, já não cai água nas torneiras há 30 dias. E a representação local da Embasa não apresenta uma justificativa. E os carros-pipa não conseguem encontrar água em lugar nenhum”, afirmou Luciano Araújo, destacando que a falta de água tem comprometido até atividades básicas, como cozinhar.

Entre os municípios mais afetados pela estiagem estão Valente, São Domingos, Nova Fátima, Gavião, Pé de Serra, Serra Preta, Capela do Alto Alegre, Tanquinho, Ichu, Candeal, Conceição do Coité, Retirolândia e São Domingos.

Em novembro do ano passado, Araújo presidiu a audiência pública “Ações de Enfrentamento à Seca na Bahia”  e destacou que a estiagem de 2025 já afeta aproximadamente 2 milhões de baianos, com diversos municípios em situação de emergência.

Em dezembro de 2025, a última atualização do Monitor de Secas, da Agência Nacional das Águas (ANA),  informa que em termos de severidade da seca, houve um abrandamento do fenômeno em quatro estados: Acre, Amazonas, Bahia e Paraná.

Na Bahia, de acordo com o monitor, cuja atualização mais recente, é do mês de novembro,  devido à melhora nos indicadores, houve recuo da seca extrema no oeste do estado. Os impactos são de curto prazo no leste, e de curto e longo prazo  no restante da Bahia. O mapa de secas com as atualizações pode ser visto através deste link.

Ainda, de acordo com o Monitor, entre outubro e novembro, a área com seca se manteve estável em 91% do território da Bahia. Em novembro, houve uma leve atenuação da seca, com a redução da seca extrema de 33% para 28% do território baiano. Mais informações sobre o Monitor de Secas pode ser visto aqui.

Nordeste tem situação mais severa
O relatório do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA) mostra que, entre outubro e novembro de 2025, a seca se intensificou nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste do Brasil, enquanto no Sul houve algum alívio e no Norte a severidade permaneceu estável.
No Nordeste, a seca é especialmente severa: cerca de 21% da área da região registrou seca extrema, a pior condição desde março de 2019, com impactos profundos na disponibilidade de água para cidades e zonas rurais.

Na comparação entre outubro e novembro, dez estados registraram o aumento da área com seca: Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. Já no Rio Grande do Sul o fenômeno voltou a ser verificado em novembro.

No sentido oposto, o Monitor identificou a diminuição da área com o fenômeno em outros cinco estados: Acre, Amazonas, Paraná, Rondônia e Santa Catarina. Em outras 11 unidades da Federação, a área com seca se manteve estável: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, São Paulo e Tocantins.

Oito unidades da Federação registraram seca em 100% do território em novembro de 2025: Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins. Nos demais estados com registro do fenômeno, os percentuais variaram de 27% a 94%.

Com base no território de cada unidade da Federação acompanhada, o Mato Grosso lidera a área total com seca de novembro, seguido por Amazonas, Minas Gerais, Bahia e Pará. No total, entre outubro e novembro, a área com o fenômeno seguiu em cerca de 5,7 milhões de km², o equivalente a 68% do território brasileiro.

As cores do gráfico indicam as regiões CENTRO-OESTE, SUDESTE, NORDESTE, SUL e NORTE. Infográfico: Agência Nacional das Águas
Cobrança por ações emergenciais

O deputado cobrou medidas imediatas do Governo Estadual e da Embasa. “Mais uma vez estou cobrando. A Embasa tem que tomar uma providência, a Gerência Regional tem que agir”, afirmou.

Ele defende investimentos em tecnologias de acesso à água, como dessalinizadores, e reforça que as ações de enfrentamento à seca precisam ser contínuas e preventivas.

“Hoje, com tanta tecnologia disponível, existem meios para minimizar os danos da estiagem. Precisamos trabalhar em ações preventivas, planejamento e investimentos que garantam segurança hídrica e condições dignas para quem vive da agricultura”, concluiu.

Transposição do Rio São Francisco

O deputado afirma que o Governo Federal, através do Exército, suspendeu os serviços de contratação de carros-pipa, agravando ainda mais a situação. Ele ainda diz que o Governo Federal deve “tirar do papel” a transposição do Rio São Francisco para o Rio Jacuípe, o Canal do Sertão.

O Projeto de Integração do Rio São Francisco – conhecido como Transposição do Rio São Francisco – é considerado a maior obra de infraestrutura hídrica do País, dentro da Política Nacional de Recursos Hídricos. Com 477 quilômetros de extensão em dois eixos (Leste e Norte), o empreendimento vai garantir a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, onde a estiagem é frequente. A obra de infraestrutura hídrica já recebeu R$ 2 bilhões em investimentos.

Os dois eixos englobam a construção de 13 aquedutos, nove estações de bombeamento, 27 reservatórios, nove subestações de 230 quilowats, 270 quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão e quatro túneis. Com 15 quilômetros de extensão, o túnel Cuncas I é o maior da América Latina para transporte de água.

As obras do Projeto São Francisco passam pelos seguintes municípios no Eixo Norte: Cabrobó, Salgueiro, Terranova e Verdejante (PE); Penaforte, Jati, Brejo Santo, Mauriti e Barro (CE); em São José de Piranhas, Monte Horebe e Cajazeiras (PB). Já no Eixo Leste, o empreendimento atravessa os municípios pernambucanos de Floresta, Custódia, Betânia e Sertânia; e em Monteiro, na Paraíba.

Fornecimento regularizado gradativamente

Por nota, a  Embasa informou que “o fornecimento de água está sendo regularizado gradativamente nos municípios atendidos pelo Sistema Integrado de Abastecimento do Sisal, após falhas da Neoenergia Coelba, ocorrências pontuais de reparos na rede adutora principal e interferências externas como vandalismo, ocorridas sucessivamente no final do ano, entre os dias 23 e 31 de dezembro”.

De acordo com a empresa, o sistema foi retomado na noite do dia 31 de dezembro, e desde então, seguia operando sem intercorrências até a última segunda-feira (5), quando uma nova falta de energia elétrica interrompeu a distribuição de água por cerca de cinco horas. Por isso, o fornecimento de água, que estava sendo regularizado gradativamente na área , foi afetado, interrompendo a distribuição principalmente nas partes altas e distantes das estruturas de reservação.

A empresa afirma que a retomada de água aos imóveis ocorre aos poucos, “porque é preciso encher novamente as tubulações para alcançar todos os imóveis” e que durante o período de interrupções,  “manteve equipes de prontidão, realizando reparos emergenciais, substituição de equipamentos, manobras operacionais, monitoramento contínuo da vazão e atuação integrada com a Neoenergia Coelba para restabelecimento do fornecimento de energia nas unidades afetadas”.

Segundo a empresa, devido da ampla abrangência territorial do sistema, da elevada demanda simultânea e da escassez hídrica regional, não houve viabilidade operacional para atendimento emergencial por caminhões-pipa nos municípios atendidos. “Os técnicos da empresa continuam atentos e monitorando a situação e tomando as medidas técnicas necessárias para o pleno restabelecimento do abastecimento”, diz a nota.

Confira abaixo, o posicionamento da Embasa:

A Embasa informa que o fornecimento de água está sendo regularizado gradativamente nos municípios atendidos pelo Sistema Integrado de Abastecimento do Sisal, após falhas da Neoenergia Coelba, ocorrências pontuais de reparos na rede adutora principal e interferências externas como vandalismo, ocorridas sucessivamente no final do ano, entre os dias 23 e 31 de dezembro.

Desde que foi retomado na noite de 31/12, o sistema seguia operando sem intercorrências até a última segunda-feira (5), quando uma nova falta de energia elétrica pela Coelba interrompeu a distribuição de água por cerca de cinco horas. Por este motivo, o fornecimento de água, que estava sendo regularizado gradativamente na área atendida, voltou a ser afetado, interrompendo a distribuição principalmente nas partes altas e distantes das estruturas de reservação.

Apesar da distribuição de água está novamente em regularização gradativa, a retomada aos imóveis ocorre aos poucos porque é preciso encher novamente as tubulações para alcançar todos os imóveis. Durante o período de interrupções, a Embasa manteve equipes de prontidão, realizando reparos emergenciais, substituição de equipamentos, manobras operacionais, monitoramento contínuo da vazão e atuação integrada com a Neoenergia Coelba para restabelecimento do fornecimento de energia nas unidades afetadas.

A Embasa também esclarece que, em razão da ampla abrangência territorial do sistema, da elevada demanda simultânea e da escassez hídrica regional, não houve viabilidade operacional para atendimento emergencial por caminhões-pipa nos municípios atendidos. Os técnicos da empresa continuam atentos e monitorando a situação e tomando as medidas técnicas necessárias para o pleno restabelecimento do abastecimento.

A reportagem do Bahia Municípios entrou em contato com o Exército Brasileiro, instituição responsável pela ‘Operação Carro Pipa’, que transporta e distribui água potável para populações atingidas pela seca e estiagem para saber o porquê durante o período de não fornecimento de água, o líquido não foi distribuído na localidade, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta. A reportagem também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Neoenergia Coelba para saber a causa da falta de energia que ocasionou o interrompimento no fornecimento de água, mas, não obteve um posicionamento.

O Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), responsável pela obra da Transposição do Rio São Francisco, foi procurado, para saber como a obra da transposição irá beneficiar municípios baianos, principalmente os norte do estado, quais serão as áreas afetadas e quantas pessoas serão contempladas com a transposição, mas até o fechamento desta reportagem, nenhuma resposta foi fornecida.

 

 

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