quarta-feira, 18 fevereiro, 2026

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No mês da Consciência Negra, SEI divulga análise sobre desigualdade racial na Bahia

Apesar de toda a simbologia e significado que o feridado do Dia da Consciência Negra, comemorado ontem, quinta-feira, 20 de novembro, representa para a população negra do Brasil, as desigualdades raciais e sociais que atingem este grupo perduram durante todo o ano.

A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) divulgou, uma análise sobre a desigualdade racial no estado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua  do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNADC/IBGE, 2024). O estudo mostra que a Bahia tem a segunda maior proporção de população negra do país, com 80,7% dos habitantes autodeclarados pretos ou pardos. Entre eles, a parcela de pessoas pretas chega a 24,4%, o maior percentual entre todas as unidades da Federação.

Os dados apontam que, embora representem 81,9% da força de trabalho, os negros seguem em maior vulnerabilidade no mercado. Eles são maioria entre desocupados (83,9%), desalentados (85,9%) e trabalhadores informais (52,7%). A taxa de desocupação entre negros é de 11,1%, acima dos 9,5% registrados para brancos. Entre mulheres negras, o índice salta para 14,6%, evidenciando desigualdades que se cruzam por raça e gênero.

Na renda, o descompasso permanece acentuado. Em 2024, trabalhadores brancos receberam, em média, R$ 2.909, enquanto negros ganharam R$ 1.910 — uma diferença de 52,3%. Entre homens, brancos tiveram rendimento 51,1% maior que negros. Entre mulheres, a discrepância é ainda maior: brancas ganharam 55,2% a mais que negras.

O levantamento também expõe contrastes no acesso à educação. Apenas 11,1% dos negros baianos tinham 16 anos ou mais de estudo, contra 20,3% dos brancos. Já a taxa de analfabetismo foi de 9,8% entre negros e 8,7% entre brancos. A SEI destaca que “os dados reforçam que, apesar de avanços, as desigualdades raciais permanecem estruturais e exigem políticas públicas contínuas para garantir equidade social e econômica na Bahia”.

A análise detalha ainda que a Bahia possuía, em 2024, 11,97 milhões de pessoas negras, o terceiro maior contingente entre os estados brasileiros, e concentrava 16% de toda a população preta do país. O levantamento mostra que os indicadores desfavoráveis aos negros se repetem em diferentes recortes — renda, educação, informalidade, desalento e ocupação — revelando a permanência de desigualdades históricas.

A informalidade segue como marca estrutural: 55,2% dos homens negros ocupados estavam nesse tipo de atividade em 2024, maior proporção entre todos os grupos analisados. No trabalho doméstico sem carteira assinada, 82,1% dos postos eram ocupados por mulheres negras. No desalento, a população negra também aparece mais afetada, com 11,8% fora da força de trabalho, contra 7% entre brancos.

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