Isso porque, devido a decisão judicial, estabelecimentos não abriram sexta e domingo.
O Dia das Crianças faz do mês de outubro o segundo mês mais forte em vendas, perdendo apenas para dezembro, com o Natal. Contudo, os donos de lojas não tiveram muito a comemorar este ano. Muito pelo contrário, a avaliação da data é de muito prejuízo.
Com a decisão judicial que proibiu funcionários de shoppings e das lojas localizadas nos estabelecimentos a trabalharem em domingos e feriados até que nova convenção coletiva seja celebrada, na sexta (12) e no domingo último (14) funcionaram apenas o cinema e a Praça de Alimentação, além de algumas lojas âncoras.
Em entrevista à Tribuna da Bahia, o coordenador regional da Associação de Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), Edson Piaggio, relatou que durante o feriadão o prejuízo estimado é de R$ 20 milhões.
“Foi o prejuízo configurado para esses três dias, porque não abriu sexta, abre sábado, mas não abre no domingo. O maior prejuízo nesse feriado se deu por ter caído no final de semana. Se fosse segunda ou terça não teria tanto impacto. É um feriado em que se compra presente no dia, diferente do dia dos namorados e outras datas. O pai ou a mãe costuma sair com a criança e a criança tem uma participação na escolha do presente”, explicou.
O impasse que impede a abertura das lojas é protagonizado pelo Sindicato dos Empregados no Comércio da Cidade do Salvador e pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia, além da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado, envolvendo a inexistência de uma nova convenção coletiva. A última expirou em fevereiro deste ano.
Emprego
Enquanto o imbróglio se arrasta, todos os lados perdem, como analisa o coordenador regional da Abrasce. “Estamos de fora das negociações, mas também estamos perdendo. É um tipo de desentendimento no qual só sai perdedor. Perde o lojista, o comerciário, a sociedade sem opção de lazer e o governo que tem redução dos impostos. Pior ainda, a perda do emprego”, relatou Piaggio.
De acordo com ele, esperava-se a contratação de 2.500 a 3.000 pessoas para empregos temporários. Com a determinação judicial, se ocorrer, será em número menor. “E, pior ainda, você não vai abrir em nenhum domingo do último trimestre, que é o melhor trimestre para o varejo. Pode ter uma queda de empregos efetivos. Então além de reduzir as contratações temporárias, muitos ficarão desempregados. É preciso se atentar para isso. Estamos vivendo um momento difícil, tentando se recuperar de uma recessão de três anos”, lembrou.
Reunião marcada para terça-feira definirá os próximos passos
Uma nova reunião entre as partes envolvidas foi marcada para a próxima terça-feira (16), mas a possibilidade de um acordo já neste encontro é pequena. Informações chegadas à Tribuna relatam que o desentendimento estaria concentrado em apenas um item.
As partes divergem para vigorar a não abertura em quatro feriados nacionais: 1º de janeiro, 1º de maio, 7 de setembro e 25 de dezembro. A proposta do sindicato patronal é que este acordo passasse a vigorar a partir de outubro deste ano. Há, porém, uma ordem judicial para abertura no dia 21 de abril deste ano que implica em multa por cada funcionário.
Mas, de acordo com o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio da Cidade do Salvador (Sindilojas), Paulo Motta, há ainda outras cláusulas impedindo o acordo. “A partir de amanhã [hoje] vamos retomar as negociações. As perdas são grandes, a gente deixa de faturar e os funcionarios correm o risco de perder o emprego. Isso não é muito bom, não, está difícil. Não temos como dimensionar as perdas ainda”, disse.

