Por Morgana Montalvão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou, neste sábado (7), durante o ato de comemoração de aniversário de 46 anos do PT, em um evento realizado em Salvador, no bairro do Comércio, que “será um soldado” e que a eleição será uma “guerra”.
“A eleição vai ser uma guerra. É mentira o tempo todo, 24 horas por dia e nós vamos ter de nos preparar para para não poder deixar a mentira governar este país. Não existe mais Lulinha paz e amor. Se precisarem de um soldado, eu estou aqui. É com essa luta que vamos garantir que o país continue sendo democrático”, disse o presidente que falou para uma multidão que fazia “L” entusiasmada.
O evento contou com diversos apoiadores e autoridades, entre eles o o vice-presidente da República e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB) – que fez qustão de mostrar que estava usando uma meia vermelha – políticos baianos, como o governador Jerônimo Rodrigues, o ministro da Casa Civil, Rui Costa e senador Jaques Wagner.
Durante o discurso, Lula destacou que não pretende ser lembrado apenas como o presidente do Bolsa Família e afirmou, em tom bem-humorado, que pretende viver até os 120 anos ” com a ajuda de Deus”.
“Eu não quero ser apenas o presidente do Bolsa Família. Quero fazer um projeto que unifique o país. O que vai mobilizar o Brasil é a proposta de construir um outro país. É isso que a gente vai fazer. Vou viver 120 anos, com a ajuda de Deus para fazer isso. Precisamos ganhar para consolidar o Brasil e fortalecer a democracia. Eu quero ganhar. Vamos vencer essas eleições e governar o Brasil junto com os nossos aliados”, disse ele, enfatizando que não há como perder para para os adversários, “só para a gente mesmo”. “A direita não quer que a gente seja pior que ela. Ela quer que nós sejamos iguais a ela e isso jamais vai acontecer”.
Ler o manifesto do PT
Em seu discurso, o presidente pediu aos presentes, que lessem com seriedade o manifesto do partido. Na visão dele, não se pode apenas ser afiliado a legenda apenas para concorrer a um cargo político.
“O que é importante neste partido é o seguinte: é fundamental voltar a ler o manifesto do PT. A filiação partidária não pode ser apenas porque alguém quer ser candidato a alguma coisa. Filiação partidária é uma opção política profunda. Você entra porque acredita no manifesto, no compromisso e na luta do partido. Você entra para somar. Você não entra para ser somente para ser deputado ou vereador”, complentou.
Para o presidente, a política atual “apodreceu” e que sente falta do engajamento dos anos passados.
“Hoje eu digo, como testemunha, que a política apodreceu. Vocês que são candidatos sabem como está o mercado eleitoral neste país. Sabem quanto custa um cabo eleitoral, um vereador, um prefeito. Isso é uma vergonha. Eu tenho saudade do tempo em que a gente fazia campanha vendendo camiseta, macacão, bola, fita métrica, para conseguir dinheiro para encher o tanque e ir fazer comício. Hoje virou outra coisa. Não é possível continuar assim.”
Críticas ao orçamento secreto
O presidente também criticou o orçamento secreto e disse que o mecanismo representou um “sequestro” do orçamento do Poder Executivo.
De acordo com Lula, o modelo permitiu que parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado tivessem a “oportunidade” de utilizar a “mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal”.
O presidente também criticou deputados e senadores que votaram a favor da distribuição de verbas federais a parlamentares sem transparência, apontando o impacto financeiro do modelo.
“Este ano é quase R$ 60 bilhões. Se vocês acham que isso é normal, tudo bem. Para mim não é normal. E o que eu acho grave é que o PT votou favorável. E ninguém reclama”, afirmou .
Na sequência, o presidente reconheceu que a declaração pode causar desconforto dentro do próprio partido, mas defendeu o direito de se posicionar. “Eu sei que tem companheiro que fica chateado por eu dizer isso aqui. Mas se vocês acham que eu sou pai [do partido] e eu não posso falar, onde é que eu vou falar?”, questionou.
Aniversário do PT
Ao longo de três dias, em comemoração aos 46 anos de existência, completados no mês de fevereiro, o Partido do Trabalhadores promoveu debates internos sobre temas como comunicação, soberania na América Latina e estratégias políticas, reunindo militantes, políticos e ministros do governo.
Também participaram do encontro a primeira-dama, Janja Lula da Silva,o presidente nacional do PT, Edinho Silva, José Dirceu, Eduardo Suplicy, o líder do Governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o líder do Governo no Senado e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Entre os senadores de outros locais do Brasil, marcaram presença Teresa Leitão (PT-PE), Humberto Costa (PT-CE) e Rogério Carvalho (PT-SE). A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), integrou a lista de autoridades. O prefeito de Recife, João Campos (PSB) também esteve presente.
O encontro contou ainda com o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), e com a ministra das Mulheres, Márcia Lopes e com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, que na abertura do evento, cantou o Hino do Nacional, além de representantes de movimentos sociais e outras autoridades.
