sexta-feira, 13 março, 2026

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SUS adota tecnologia brasileira que analisa pele do pé para avaliar saúde de bebês prematuros

Da Redação

Os primeiros momentos de vida de bebês prematuros no Brasil passam a contar com uma nova tecnologia voltada ao diagnóstico precoce na rede pública. O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) um leitor óptico desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), capaz de avaliar a idade gestacional e a maturidade pulmonar de recém-nascidos a partir da pele neonatal.

A incorporação da tecnologia foi oficializada por portaria publicada nesta quinta-feira (12), após validação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). De acordo com o ministério, o prazo para início da distribuição dos dispositivos à rede pública é de até 180 dias. O equipamento, porém, não substitui o acompanhamento profissional nas unidades de saúde nem o pré-natal.

Chamado de PreemieTest, o dispositivo é utilizado logo após o nascimento. O exame funciona por meio de uma pequena sonda colocada no do bebê, que analisa as propriedades da pele. Em poucos segundos, o teste – que não causa dor e não utiliza radiação – fornece dados que auxiliam decisões clínicas precoces, como a necessidade de suporte respiratório, internação em terapia neonatal ou transferência para hospitais com maior capacidade assistencial.

Entre 2024 e 2025, o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) registrou mais de 487 mil nascimentos prematuros no Brasil, o que corresponde a 12,3% do total de nascidos vivos no período.

Ao investir em tecnologias 100% nacionais, o SUS não apenas fortalece a soberania científica do país, mas garante que, do grande centro urbano às comunidades indígenas, os pequenos brasileiros recebam mais cuidados à vida com agilidade, logo no nascimento. É importante destacar que o aparelho é uma ferramenta, mas o que garante uma gestação segura, um bom parto e a prevenção de situações que levam ao nascimento prematuro é um pré-natal bem realizado. Investir em ciência e inovação no Brasil é garantir que o conhecimento produzido se traduza em soluções reais para a população. Essa tecnologia mostra como o investimento público pode completar o ciclo da inovação, da pesquisa ao cuidado no SUS, qualificando a assistência aos recém-nascidos e apoiando as equipes de saúde”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo o ministério, o exame também auxilia especialmente em situações nas quais não houve ultrassom no início da gestação ou quando a data da última menstruação da gestante é desconhecida ou pouco confiável — cenários comuns em áreas remotas.

Essa triagem rápida ganha ainda mais importância em locais de difícil acesso, onde ocorrem partos fora do ambiente hospitalar, incluindo partos domiciliares acompanhados por parteiras. Nessas situações, o dispositivo pode apoiar equipes de saúde na definição da melhor conduta clínica para o recém-nascido.

Além de estimar a idade gestacional, o PreemieTest fornece indicação mais precisa sobre a necessidade de internação em UTI neonatal, uso de suporte ventilatório e risco de síndrome do desconforto respiratório (SDR). As informações contribuem para decisões clínicas em um momento crítico, quando intervenções rápidas podem aumentar as chances de sobrevivência e reduzir complicações.

O equipamento foi desenvolvido por pesquisadores da UFMG com apoio do Ministério da Saúde, por meio do Programa de Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (PROCIS), iniciativa voltada à transformação de pesquisas científicas em soluções aplicadas ao sistema público.

Testado e aprovado

O leitor óptico foi testado em diferentes regiões do país, incluindo territórios indígenas da Amazônia. Os estudos foram realizados em parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e envolveram Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).

Segundo o Ministério da Saúde, a experiência demonstrou viabilidade operacional, aceitação pelas equipes de saúde e potencial para ampliar o diagnóstico precoce da prematuridade, especialmente em contextos de difícil acesso.

Atualmente, no SUS, a principal forma de estimar a idade gestacional durante a gravidez é o ultrassom realizado no primeiro trimestre. Quando risco de parto prematuro, são utilizados corticoides para acelerar o amadurecimento pulmonar do bebê. Após o nascimento, o tratamento pode incluir avaliação clínica, medicamentos, suporte respiratório e internação em UTI neonatal, quando necessário.

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