terça-feira, 3 março, 2026

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SUS lança teleatendimento para vício em jogos e apostas

Da Redação

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a ofertar teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. O serviço, anunciado nesta terça-feira (3) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante simulação realizada em unidade do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP), tem expectativa inicial de atender 600 pacientes por mês.

A iniciativa é fruto de parceria com o hospital e integra um conjunto de ações do Governo do Brasil para enfrentar o problema, considerado de saúde pública. O acesso será feito por meio do aplicativo Meu SUS Digital.

“Estamos introduzindo o teleatendimento, porque percebemos que, dificilmente, a pessoa com problemas relacionados a jogos de apostas procura um serviço de saúde presencialmente. Muitas vezes, há dificuldade de admitir o problema, vergonha e ainda muita estigmatização”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

“Por isso, estamos criando instrumentos para que famílias e amigos possam apoiar quem enfrenta essa situação, permitindo contato direto com o Ministério da Saúde sem a necessidade de ir até uma unidade”, acrescentou.

O serviço contará com investimento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O atendimento é destinado a pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e rede de apoio. O cadastro pode ser feito 24 horas por dia, em ambiente seguro, com proteção garantida pelas normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Em 2025, o SUS realizou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas. A baixa procura espontânea por ajuda presencial, muitas vezes por vergonha ou medo de julgamento, motivou a criação do teleatendimento, estruturado para ampliar o acesso ao cuidado de forma reservada e acessível.

Como acessar o serviço

O acesso é feito pelo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente para Android, iOS e versão web. Após login com conta gov.br, o usuário deve clicar em “Miniapps” e selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”.

O aplicativo disponibiliza um autoteste validado no Brasil, com base científica, para identificar sinais de risco. Em casos de risco moderado ou elevado, o encaminhamento ao teleatendimento é automático. Nos casos de menor risco, a orientação é buscar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A Ouvidoria do SUS também oferece suporte pelo telefone 136, além de atendimento via formulário, WhatsApp e chatbot no site do Ministério da Saúde.

Como funciona o atendimento

As consultas são realizadas por vídeo, com duração média de 45 minutos. O cuidado pode incluir até 13 sessões por paciente, em atendimento individual ou em grupo com a rede de apoio. O serviço é gratuito e confidencial.

A equipe é multiprofissional, formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de médico psiquiatra quando necessário. Há articulação com assistência social e medicina de família para integração com serviços locais. Quando indicado, o paciente pode ser encaminhado para atendimento presencial.

Expansão da rede de saúde mental

O investimento do Ministério da Saúde em saúde mental cresceu 70% entre 2022 e 2025, passando de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,9 bilhões. O SUS conta com 6.272 pontos de atenção em saúde mental, incluindo 3 mil CAPS.

De 2023 a 2025, foram habilitadas 653 novas unidades da RAPS, ampliando em 10% a cobertura nacional. Também foram habilitadas 6,2 mil novas equipes multiprofissionais para as UBS, fortalecendo a presença de profissionais de saúde mental na atenção básica.

A ação integra ainda estratégias como a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, do Ministério da Fazenda, e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, que promovem integração entre as áreas de Saúde e Fazenda para monitoramento e prevenção.

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