Da Redação
Uma tecnologia social criada para enfrentar a escassez hídrica e a falta de saneamento básico rural vem mudando a realidade de famílias, escolas e comunidades do Semiárido brasileiro. O Sistema SARA (Saneamento Ambiental e Reúso de Água) promove a coleta e o tratamento de esgoto domiciliar, com reaproveitamento da água para produção agrícola.
A iniciativa é da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI). O sistema transforma águas residuárias em um recurso produtivo seguro, permitindo a irrigação de hortas, pomares e áreas agrícolas.
“Com a implementação do SARA, deixamos de ter esgoto a céu aberto e passamos a adotar um sistema de reuso de águas que promove saúde, preserva o meio ambiente e fortalece a produção no Semiárido”, afirma Rose Edna Pondé, coordenadora-geral de Instrumentos da Política Nacional de Irrigação do MIDR.
O principal objetivo do sistema é garantir saneamento rural aliado à segurança hídrica e alimentar. Com o tratamento adequado do esgoto, a tecnologia contribui para a redução de doenças de veiculação hídrica, melhora a qualidade ambiental e assegura água para irrigação mesmo em períodos prolongados de seca.
Além disso, o reúso da água reduz os custos com fertilizantes químicos, já que os nutrientes presentes no efluente tratado enriquecem o solo. “Com o SARA, o homem do campo deixa de conviver com o esgoto a céu aberto e passa a viver em um ambiente mais saudável, produtivo e digno”, explica Pondé.
Como funciona o Sistema SARA
O sistema realiza o tratamento descentralizado do esgoto doméstico, passando por etapas de coleta e depuração até atingir padrões adequados para o uso agrícola. A água tratada é destinada à irrigação de forma controlada e segura, seguindo critérios técnicos e sanitários.
A tecnologia se destaca pela facilidade de implantação e manutenção, uso de mão de obra local e custo acessível, estimado em cerca de R$ 13,4 mil por família. A vida útil é de aproximadamente 20 anos e, segundo estudos do MIDR, o investimento tende a ser recuperado nos primeiros anos de operação.
Implantação no Semiárido
Entre 2020 e 2024, foram implantadas 25 unidades do Sistema SARA em oito estados do Semiárido: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe. As ações beneficiaram diretamente 153 famílias agricultoras e 586 alunos de escolas rurais.
Atualmente, outras 32 unidades estão em fase de implantação, com projetos em execução até 2027. Desde o início da iniciativa, os investimentos do MIDR somam R$ 3,5 milhões.
Modalidades de uso
O Sistema SARA pode ser implantado em três modalidades: unidade familiar, voltada para uma família rural; unidade escolar, instalada em escolas para produção de alimentos e apoio à merenda; e unidade comunitária, que atende várias residências de forma coletiva.
Essa flexibilidade amplia o potencial de replicação da tecnologia e permite integração com outros programas federais, como o Programa Água Doce, também coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Hídrica.
Experiências acompanhadas pelo MIDR apontam aumento da produtividade agrícola, redução da necessidade de venda de animais durante a estiagem e geração de renda extra. Com foco em sustentabilidade, inclusão social e segurança hídrica, o Sistema SARA se consolida como uma solução estratégica para o desenvolvimento regional no Semiárido.
