O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontraram ontem em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a cúpula da Asean. O encontro durou 50 minutos e teve tom cordial, com trocas públicas que mostram intenção de negociação entre os países.
Ao embarcar no Air Force One para deixar a Malásia, Trump parabenizou Lula pelo 80º aniversário: “Ele é um cara bem vigoroso, na verdade. Fiquei muito impressionado. Hoje é aniversário dele, então feliz aniversário. Deixem ele saber disso, por favor.”
Durante a reunião, Lula disse não querer “qualquer desavença com os EUA” e afirmou que “não há motivo para qualquer conflito entre Brasil e EUA”. O presidente brasileiro descreveu o encontro como uma oportunidade para expor uma “longa pauta” de assuntos a serem discutidos.
Trump qualificou o encontro como “muito bom”, mas evitou confirmar um acordo imediato: “Não sei se algo vai acontecer, vamos ver”, disse, acrescentando que “eles gostariam de fazer um acordo”.
A conversa também abordou tarifas impostas aos produtos brasileiros. Trump comentou: “Em relação às tarifas impostas ao Brasil, acho que tudo é justo. Tenho muito respeito pelo seu presidente, tenho muito respeito pelo Brasil. Vamos trabalhar em acordos.” Lula, por sua vez, mostrou-se otimista: “Se depender de Trump e de mim, vai ter acordo.”
O encontro foi destacado por Lula como uma reunião que parecia improvável, dadas as longas viagens dos dois chefes de Estado — 22 horas para Trump e 22 horas para Lula — até a Malásia. Ainda assim, os presidentes fecharam uma conversa direta que Lula classificou como motivo de satisfação.
Contexto e tensão prévia
A relação entre Brasil e Estados Unidos esteve abalada nos últimos meses, após sanções e aumento de tarifas. Inicialmente, o Brasil foi submetido a uma taxação de 10% sobre produtos importados; em julho, esse percentual subiu para 50%.
A escalada incluiu sanções e restrições de vistos a autoridades brasileiras: o ministro do STF Alexandre de Moraes teve a Lei Magnitsky aplicada a ele; outras medidas afetaram familiares e integrantes de instituições vinculadas ao governo. O episódio também envolveu o cancelamento de vistos de autoridades e medidas justificadas por suposto prejuízo a empresas americanas e a direitos de liberdade de expressão.
O governo brasileiro reagiu afirmando que não aceitaria interferência, com o então representante diplomático ressaltando que a soberania do país “não é moeda de troca diante de exigências inaceitáveis”. Lula autorizou medidas de reciprocidade, que chegaram a ser comunicadas aos EUA, mas não chegaram a entrar em vigor.
Para autoridades do Brasil, a reunião com Trump representa uma chance de retomar canais de diálogo e buscar acordos que possam reduzir tensões comerciais e políticas entre os dois países.
