quinta-feira, 19 fevereiro, 2026

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Violência doméstica aumenta risco de transtornos alimentares em mulheres

Mulheres vítimas de violência doméstica têm maior probabilidade de adotar práticas não saudáveis de controle de peso, como provocar vômitos ou deixar de comer. A associação é ainda mais forte para as vítimas de violência física, conforme estudo de pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia.

A análise remete a dados coletados na cidade de Duque de Caxias (RJ), relativos a 847 mulheres que autodeclararam envolvimento em relações românticas ou íntimas nos 12 meses antecedentes. Sua idade média foi de 40 anos, variando entre 18 e 64; a maioria era da classe C (67%), não brancas (63%) e residia na mesma moradia que o parceiro (90%), que não esteve presente no momento da entrevista.

A violência física foi reportada por 17% das entrevistadas e a psicológica, por 61%. Aproximadamente 20% exibiram ao menos um comportamento relacionado a transtornos alimentares, sendo a prática mais comum a de pular refeições ou comer muito pouco, relatada por 15,8% das entrevistadas. Os pesquisadores verificaram que a exposição a ambas as formas de violência aumentou a probabilidade de vômitos autoinduzidos, com associação mais forte para as vítimas de violência física — que também apresentaram maior probabilidade de pular refeições.

As causas de tal relação podem ser variadas, incluindo impactos da violência na insatisfação com a imagem corporal, dificuldades de regulação emocional e mudanças fisiológicas provocadas pela exposição prolongada ao estresse, que pode alterar padrões alimentares e impactar negativamente os processos metabólicos.

Segundo a pesquisadora Emanuele Souza Marques, o estudo é o primeiro a avaliar tal relação em um país de renda média, com resultados consistentes com a literatura científica de até então. “Até o momento, a maior parte das pesquisas vinha de países de alta renda. Além disso, usamos um questionário validado para medir a violência sofrida, o que dá maior confiabilidade aos nossos resultados.”

Ela também ressalta a importância de que os resultados se tornem conhecidos pelos profissionais de saúde: “É importante estar atento a esta relação, de modo a abordar a questão de práticas alimentares inadequadas em pacientes que sofreram violência doméstica. Para as vítimas, é fundamental que recebam um cuidado de saúde integral, em que médicos, nutricionistas, endocrinologistas e psiquiatras estejam atentos a esses impactos da violência.”

Fonte: Agência Bori

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