Da Redação
A fala do senador Jaques Wagner no último domingo (11), durante a agenda que marcou a autorização de obras do Novo PAC em Salvador, jogou luz sobre um tema que já movimenta os bastidores da política baiana há tempos: a formação da chapa governista para as eleições de 2026. O senador tratou de afastar especulações sobre racha no grupo liderado pelo PT na Bahia e reforçou a ideia de unidade como ativo político central.
Segundo o senador petista, o processo de definição da chapa envolve múltiplas variáveis: a vaga de governador, as duas vagas ao Senado e os nomes dos suplentes , mas deve ser conduzido com “bom senso e maturidade”.
Wagner fez questão de resgatar a trajetória do grupo político que governa a Bahia desde 2007, destacando que se trata de um projeto coletivo que, segundo ele, tem sido capaz de fortalecer seus integrantes ao longo dos anos. “Esse grupo é um grupo fértil. Quem entra aqui dentro cresce, quem planta aqui dentro cresce”, afirmou, numa tentativa clara de desestimular narrativas de divisão interna.
O senador reconheceu, no entanto, que existe um impasse objetivo: há três nomes fortes disputando duas vagas ao Senado: o próprio Jaques Wagner, o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa e o senador Ângelo Coronel (PSD) (que também está sendo cotado pelo Partido dos Trabalhadores para assumir a vaga de suplente de Wagner nas eleições 2026 para senador).
Ainda assim, tratou o desafio como algo natural dentro de um grupo politicamente robusto. Para Wagner, o foco deve estar menos na disputa interna e mais no resultado final para o estado. “O que é importante é que a Bahia leve, a partir do ano que vem, dois senadores de muita pujança, de muita segurança, para defender os interesses do povo brasileiro e do governo do presidente Lula”, disse.
Ao mencionar que o grupo discute a chapa “há muito tempo” e que o processo está sendo construído com diálogo, Wagner reforçou a imagem de uma articulação em andamento, longe de improvisações. Ele citou conversas com lideranças como Otto Alencar (PSD), Ângelo Coronel e Diego Coronel, filho doe voltou a descartar qualquer hipótese de cisão. “Quem está apostando em racha vai queimar a língua”, cravou.
Wagner também comentou o cenário da oposição, especialmente a movimentação do ex-presidente Jair Bolsonaro em torno do nome do filho, Flávio Bolsonaro, como possível candidato à presidência da república.
Na avaliação do senador, a estratégia é previsível. “O patrimônio eleitoral não é de nenhum dos pré-candidatos. O patrimônio eleitoral é do ex-presidente da República”, afirmou, ao defender que Bolsonaro age de forma lógica ao confiar esse capital político a alguém de sua família. Ainda assim, Wagner disse que o campo governista não deve escolher adversários, mas se preparar para enfrentar qualquer configuração que venha do outro lado.
Outro ponto tratado pelo senador foi a circulação de rumores sobre possíveis negociações envolvendo cargos como vice-governadoria ou a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia. Wagner foi categórico ao afirmar que esse tipo de especulação não faz sentido neste momento. “Nunca negociei”, disse, acrescentando que a presidência da Assembleia depende de uma eleição interna e secreta, com composição diferente da atual. Para ele, levar esse tema à mesa agora é “inócuo” e desvia o foco do que realmente importa: a construção da chapa majoritária.
O tom adotado por Jaques Wagner indica que, apesar das disputas naturais que antecedem grandes eleições, o PT e seus aliados na Bahia trabalham para preservar a unidade como principal trunfo para 2026. Ao lado do governador Jerônimo Rodrigues e do ministro da Casa Civil, Rui Costa, o senador sinalizou que o grupo aposta no peso político de lideranças consolidadas e na continuidade do projeto iniciado há quase duas décadas.
