segunda-feira, 23 fevereiro, 2026

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Fiocruz faz alerta para contaminação da Amazônia por plásticos

Um estudo coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, apontou contaminação por resíduos plásticos em ecossistemas da Amazônia. A pesquisa, publicada na revista científica Ambio, mostra impactos em ambientes aquáticos e terrestres, além de potenciais riscos à saúde de comunidades ribeirinhas e indígenas. A reportagem é da Agência Brasil.

É a primeira revisão sistemática sobre o tema no bioma amazônico. Foram analisados 52 estudos revisados por pares que identificaram poluição por macro, meso, micro e nanoplásticos em fauna, flora, sedimentos e água.

Segundo os pesquisadores, toneladas de lixo flutuante são lançadas nos rios por moradores de áreas urbanas, embarcações e até pelas próprias comunidades, fazendo com que os resíduos cruzem cidades e países.

“Problema maior do que se imagina”

O epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia, afirma que os resultados chamam atenção para a dimensão do problema.
“O momento parece oportuno para discutir os intrigantes resultados desta revisão de escopo da literatura científica, a primeira a aplicar um protocolo sistemático (PRISMA-ScR) para avaliar a contaminação por plástico em ecossistemas amazônicos”, disse.

Ele complementa: “Revisamos uma gama de relatos sobre lixo e fragmentos de plástico em ambientes terrestres e aquáticos do bioma amazônico, o que indica um impacto muito maior do que a maioria das pessoas imagina”.

Risco à saúde das populações tradicionais

Para a bióloga Jéssica Melo, coautora do artigo, a poluição plástica é uma crise global ainda pouco estudada na maior bacia hidrográfica do planeta.
“A contaminação de fontes importantes de alimentos e de água representa um grande risco para a saúde de populações tradicionais. Identificamos lacunas urgentes em pesquisas, especialmente em fauna não piscícola, áreas remotas e outros países amazônicos. Destacamos a necessidade de mitigação direcionada por meio da gestão de resíduos e da educação”, afirmou.

Contexto e desafios

O estudo também revela a falta de infraestrutura para gestão de resíduos em comunidades amazônicas. Pesquisadores do Instituto Mamirauá relatam que, no interior do Amazonas, o lixo doméstico antes era majoritariamente orgânico, mas hoje os rios estão tomados por garrafas PET e embalagens plásticas.

O trabalho reforça a necessidade de medidas urgentes de pesquisa e gestão ambiental, sobretudo às vésperas da COP30, que será realizada na Amazônia.

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