O Ministério Público da Bahia ingressou com uma ação civil pública contra a cantora Cláudia Leitte, pedindo a condenação dela ao pagamento de R$ 2 milhões por dano moral coletivo, sob a acusação de discriminação religiosa. O caso tem como base a alteração do verso “saudando a rainha Iemanjá” para “eu canto meu rei Yeshua” na música Caranguejo, ocorrida em 2024. A infromação é da reportagem de Danielle Brant, da Folha de São Paulo.
A ação é assinada pela promotora Lívia Maria Santana e Sant’Anna Vaz, da Promotoria de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, e pelo promotor de justiça Alan Cedraz Carneiro Santiago, coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac).
Os promotores solicitam que o valor da indenização seja revertido ao Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos ou destinado a entidades representativas das religiões de matriz africana.
Além da indenização, o Ministério Público pede que a cantora faça retratação pública e “se abstenha de praticar qualquer ato de discriminação religiosa, direta ou indiretamente, em suas apresentações públicas, entrevistas, produções artísticas ou redes sociais, especialmente aqueles que impliquem supressão, alteração ou desvalorização de referências religiosas de matriz africana”.
A ação tem como base uma representação assinada pela iyalorixá Jaciara Ribeiro e pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro), por meio do advogado Hédio Silva Jr.
Segundo a representação, Cláudia Leitte substituiu o verso “saudando a rainha Iemanjá” por “eu canto meu rei Yeshua”, termo hebraico correspondente a Jesus, durante a execução da música Caranguejo.
O documento levanta a hipótese de que a mudança esteja relacionada à conversão religiosa da cantora e à sua filiação “a denominações neopentecostais cuja tônica discursiva se assenta na conhecida desqualificação, difamação e satanização das religiões afro-brasileiras”.
Para o Ministério Público, a alteração “não decorreria de criação artística ou de um genuíno sentimento pessoal dos autores, mas sim de uma motivação discriminatória, explícita e improvisada, traduzida em desprezo, repulsa e hostilidade em relação às religiões afro-brasileiras”.
“A conduta da requerida é agravada por sua notória projeção pública e pela amplitude de seu alcance midiático”, aponta a ação. “Na condição de artista de renome nacional, com milhões de seguidores nas redes sociais e presença constante em eventos de grande porte, suas manifestações possuem elevado poder de difusão e influência cultural.”
Procurada, a assessoria de Cláudia Leitte não se manifestou até o momento.
