O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso na madrugada desta sexta-feira 26, no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, capital do Paraguai, quando tentava embarcar em um voo internacional. A prisão ocorreu após a Polícia Federal identificar o rompimento da tornozeleira eletrônica usada por Vasques. A informação é da reportagem de Mateus Araújo e Eduarda Esteves, do UOL.
Segundo a PF, há indícios de tentativa de fuga. Alertas foram disparados após a falta de sinal do equipamento de monitoramento. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi comunicado e determinou a prisão preventiva. As autoridades paraguaias foram acionadas e efetuaram a prisão. Vasques teria saído de Santa Catarina de carro com destino a Assunção, e o destino final seria El Salvador.
De acordo com a reportagem, a Polícia Federal informou que vai se pronunciar oficialmente sobre a prisão quando Silvinei Vasques desembarcar no Brasil. As autoridades devem detalhar como localizaram o ex-diretor da PRF e esclarecer para onde ele tentava fugir.
Silvinei Vasques foi condenado pelo STF, em 16 de dezembro, a 24 anos e seis meses de prisão, no julgamento da chamada trama golpista. Ele foi condenado pelos crimes de tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.
Apesar da condenação, a pena em regime fechado ainda não começou a ser cumprida, pois os prazos para apresentação de embargos da defesa ainda não foram concluídos.
Esta é a terceira tentativa de fuga envolvendo condenados no processo da trama golpista. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso no dia 22 de novembro após tentar romper a tornozeleira eletrônica durante o cumprimento de prisão domiciliar. Já o deputado federal Alexandre Ramagem (PL) conseguiu viajar para os Estados Unidos e é considerado foragido pela Justiça. Ele não utilizava tornozeleira eletrônica.
Por que Silvinei Vasques foi condenado
Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria dado ordens ilegais a policiais rodoviários federais para realizar blitzes com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores no dia 30 de outubro de 2022, durante o segundo turno das eleições presidenciais.
O advogado Eduardo Pedro Nostrani Simão negou que Silvinei Vasques tenha atuado para barrar o deslocamento de eleitores do presidente Lula. Segundo o defensor, o ex-diretor da PRF foi alvo de uma “tempestade midiática” e de notícias falsas divulgadas nas redes sociais.
“No dia das eleições, vários vídeos circularam dando o tom de que o meu cliente estava tentando empecer o voto popular naqueles locais onde o atual presidente teria a preferência dos eleitores”, afirmou o advogado.
Silvinei Vasques chegou a ser preso em agosto de 2023, por determinação do ministro Alexandre de Moraes. À época, o magistrado avaliou que, em liberdade, Vasques poderia coagir agentes da PRF a alterar depoimentos relacionados ao caso.
O policial rodoviário federal permaneceu preso por cerca de um ano. A liberação foi condicionada ao cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, suspensão do porte de arma de fogo, proibição de sair do país e de utilizar redes sociais.
Em janeiro, Silvinei Vasques assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Prefeitura de São José, em Santa Catarina, a convite do prefeito Orvino Ávila (PSD). No entanto, ele deixou o cargo após a condenação no julgamento da trama golpista.
