segunda-feira, 16 fevereiro, 2026

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Tradição e devoção marcam percurso até a Basílica do Bonfim

Da Redação

O percurso pela Cidade Baixa, da Igreja da Conceição da Praia até a Colina Sagrada, voltou a reunir milhares de fiéis durante a tradicional Lavagem do Bonfim. Ao longo dos quase 7 quilômetros de caminhada até a Basílica do Bonfim, pessoas de diferentes idades, origens e histórias reafirmaram a fé e mantiveram viva uma das celebrações mais marcantes de Salvador.

Entre os participantes estava Andréia Borges, que acompanhou o cortejo em uma cadeira de rodas ao lado do marido, Antônio Álvarez. O casal participa da Lavagem há cerca de três décadas. Há dois anos, Andréia passou a fazer o trajeto dessa forma, após ser diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica (ELA). “Eu faço essa caminhada há muitos anos, e este é o segundo ano que venho de cadeira de rodas. Estou aqui com muita fé”, afirmou.

A tradição também segue sendo apresentada às novas gerações. Crianças pequenas acompanharam o trajeto nos braços dos pais ou em carrinhos. Júlia e Rodrigo Leão participaram com o filho Adriano, de dois anos e cinco meses, em sua primeira Lavagem. “Está sendo ótimo. A gente veio preparado, trouxe água, comidinha, tudo direitinho para ele. Viemos todos de branco, em clima de festa”, contou Júlia.

Ela também destacou a organização do evento. “A gente está vendo que todo mundo está preocupado com a segurança e com a hidratação das pessoas. Está tudo muito bem organizado”, disse.

Além da caminhada, alguns fiéis optaram por correr até a Colina Sagrada. O empresário Cláudio Fernandes, morador de Brotas, saiu da Conceição da Praia, chegou à Basílica e retornou ao ponto inicial como parte de sua devoção. “É fé, é agradecer, sempre. Todo ano eu venho. Já fui, já voltei. Agora é curtir a festa”, afirmou.

A odontóloga Karina Velame veio de Serrinha, no nordeste baiano, e também participou da corrida. “É uma emoção sem tamanho, um momento extraordinário, onde posso reencontrar vários amigos que não vejo há anos. E hoje o Bonfim consegue reunir todo esse público, e estamos juntos em mais uma corrida”, relatou.

Pelo terceiro ano consecutivo, a Prefeitura de Salvador instalou pórticos ao longo do circuito para refrescar os fiéis. A água utilizada foi misturada com água benta, benzida pelo padre Edson Menezes. A fonoaudióloga Lise Anjo Gentil, moradora de Piatã, aprovou a iniciativa. “Achei maravilhosa a iniciativa, principalmente com esse calor de Salvador, que é diferente de qualquer lugar. Foi bem refrescante mesmo”, comentou.

A Lavagem do Bonfim também é marcada pelo encontro familiar. Dalva Costa da Silva mantém a tradição de preparar o feijão que reúne parentes durante a festa. “Todo ano vem umas vinte e tantas pessoas comer o feijão. Tenho que me preparar, porque é uma forma de manter a família unida”, contou.

Segundo Dalva, entre ela e o marido são 31 irmãos, com sobrinhos vindos de bairros como Patamares, Itapuã e Ribeira. “Obrigada, meu Deus, que me dá força todo ano”, concluiu.

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