Da Redação
A Procuradoria-Geral do Município de Salvador (PGMS) apresentou, nesta quinta-feira (22), sua inteligência artificial institucional, batizada de Agente MarIA QuitérIA. O lançamento ocorreu no Mercure Hotel Salvador, no bairro do Rio Vermelho, com a presença de autoridades, gestores públicos e convidados.
Participaram do evento o procurador-geral do Município, Eduardo Porto, a subprocuradora-geral Luciana Harth e o fundador da plataforma MinutaIA e procurador do Município de Belo Horizonte (MG), Caio Perona.
Desenvolvida para apoiar atividades jurídicas e administrativas da PGMS, a inteligência artificial tem como foco a modernização dos fluxos internos e o fortalecimento da atuação institucional. A ferramenta opera com acompanhamento permanente de servidores e segue critérios de governança, segurança da informação e responsabilidade administrativa.
O acesso ao sistema será individual e restrito às atribuições funcionais de cada usuário, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Integrada aos sistemas já utilizados pela Procuradoria, a IA oferecerá suporte direto à produção jurídica, com sugestões de minutas, modelos padronizados e análises comparativas de textos com maior precisão semântica.
A tecnologia também permitirá a organização, triagem e classificação de processos, com uso de jurimetria, além da geração automática de resumos. A funcionalidade deve facilitar a análise de processos extensos e com grande volume de informações.
A solução será integrada ao MinutaIA, plataforma já utilizada por órgãos do Judiciário, possibilitando a automação de tarefas repetitivas e a elaboração de peças em maior escala.
Durante o lançamento, o procurador-geral Eduardo Porto destacou o impacto da ferramenta na rotina da instituição. “Essa ferramenta de inteligência artificial vem para qualificar e aprimorar o trabalho da Procuradoria-Geral do Município de Salvador, de todos os seus procuradores e colaboradores. Como nossa atuação está diretamente ligada à viabilização das políticas públicas e à condução de processos em favor do município, isso repercute positivamente na gestão e na cidade”, afirmou.
Segundo Porto, a tecnologia não substitui o trabalho dos procuradores, mas amplia sua capacidade de atuação. “Diante da complexidade e multiplicidade de demandas do cenário jurídico atual, com um grande volume de processos, a IA permitirá que o procurador, especialmente nas demandas repetitivas, tenha mais tempo para se dedicar a assuntos estratégicos para a PGMS”, completou.
O fundador do MinutaIA, Caio Perona, avaliou que a adoção da tecnologia amplia a eficiência da administração pública. “A ferramenta de inteligência artificial adotada pela PGMS permitirá que os procuradores entreguem um trabalho ainda mais efetivo para a cidade, na defesa dos interesses jurídicos do município e na tutela dos direitos coletivos dos cidadãos de Salvador”, disse.
Perona destacou ainda que a integração da plataforma ao sistema interno da Procuradoria coloca Salvador em posição de destaque. “Essa integração possibilita uma otimização muito mais efetiva da ferramenta e coloca o município em evidência na adoção de tecnologia de IA para tornar o trabalho público mais eficiente”, acrescentou.
Responsável técnico pelo projeto, o líder do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da PGMS, Jean Carlos Souza Silva, explicou que a ferramenta foi desenvolvida ao longo de um ano. “Um dos seus principais diferenciais é a capacidade de resumir processos. Muitos deles têm mais de 200 páginas e a ferramenta consegue gerar um resumo em segundos”, relatou.
Também presente no lançamento, o procurador do município Paulo Victor Sena ressaltou o apoio da ferramenta na elaboração de peças jurídicas. “A MarIA QuitérIA é uma ferramenta de inteligência artificial que dará apoio nessa elaboração, reduzindo o tempo de trabalho e permitindo que o procurador se dedique a outras atribuições igualmente importantes”, afirmou.
O nome da inteligência artificial faz referência a Maria Quitéria, heroína da Independência do Brasil na Bahia e primeira mulher a integrar o Exército Brasileiro. Segundo a PGMS, a escolha simboliza a união entre tradição, serviço público e inovação que orienta a atuação da instituição.
