sábado, 7 março, 2026

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Chuvas de verão impactam a rede de esgoto e escoa lixo para as praias de Salvador

O período final do verão em Salvador tem sido marcado por fortes chuvas, que colocam a cidade em estado de alerta e trazem impactos diretos à infraestrutura urbana. Com o grande volume de água, sujeira, fuligem e lixo acumulados nas ruas acabam sendo arrastados e seguem pela rede de drenagem pluvial da prefeitura, chegando até as praias da capital baiana.

A situação gera preocupação entre banhistas e moradores, que muitas vezes confundem as estruturas de saída da drenagem da chuva com tubulações da rede de esgoto. Para esclarecer a diferença, a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) afirma que o sistema sanitário não despeja esgoto nas praias.

“A Embasa não lança efluentes sanitários nas praias”, esclarece a diretora de Operação da empresa, Joana Rolemberg. “Todo esgoto coletado pela Embasa em Salvador é direcionado ao tratamento, contribuindo significativamente para a preservação do meio ambiente, a balneabilidade das praias e a saúde da população”.

Segundo a empresa, Salvador está entre as capitais mais bem atendidas por saneamento nas regiões Norte e Nordeste, com cerca de 90% de cobertura da rede coletora de esgoto.

Diferença entre rede de esgoto e drenagem

O sistema público de esgotamento sanitário, operado pela Embasa, é responsável por coletar a água suja e o esgoto descartados em ralos, pias e vasos sanitários de residências e estabelecimentos comerciais.

Já a rede urbana de drenagem pluvial, administrada pela prefeitura, tem a função de recolher apenas a água da chuva que cai sobre a cidade. Por isso, ela possui aberturas visíveis nas ruas, como bueiros e bocas de lobo, que permitem o escoamento imediato da água.

Enquanto isso, a rede de esgoto é totalmente subterrânea e fechada, sem contato direto com o ambiente externo.

Ligação correta dos imóveis

A diretora da Embasa reforça que proprietários devem conectar seus imóveis à rede coletora sempre que essa estrutura estiver disponível na rua.

“Isso é fundamental para que o sistema de esgotamento sanitário possa cumprir seu papel de evitar que o esgoto vá parar na rede de drenagem e, consequentemente, nos rios e praias”, destaca Joana Rolemberg.

De acordo com a empresa, equipes também realizam ações de fiscalização para identificar ligações clandestinas de esgoto em canais e córregos urbanos, além de promover interceptação de lixo e esgoto nos canais de drenagem em períodos sem chuva.

Entre as iniciativas estão ainda a execução de novos ramais de esgotamento e a implementação de alternativas para levar o serviço a áreas de difícil acesso, onde a implantação da rede coletora é mais complexa.

Cuidados para evitar problemas

Outro ponto destacado pela Embasa é que água da chuva não deve ser direcionada para a rede de esgoto. O correto é que a água que escorre das calhas dos telhados seja encaminhada para o sistema de drenagem pluvial.

Também é proibido abrir tampas da rede de esgoto para escoar água da chuva, prática que pode comprometer o funcionamento do sistema.

“Nossa rede é dimensionada para receber o esgoto produzido pelos imóveis, e não o grande volume da chuva, que ainda carrega areia, resíduos e muito lixo. A presença de lixo nas redes de esgoto ainda é a principal causa de extravasamentos da rede da Embasa”, destaca.

Especialistas em saneamento também alertam que o descarte irregular de lixo nas ruas agrava o problema durante períodos de chuva intensa, já que os resíduos acabam sendo levados para canais e galerias de drenagem.

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