segunda-feira, 9 março, 2026

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Lares chefiados por mulheres negras têm menor índice de fome da história

O Brasil alcançou o menor índice de insegurança alimentar grave já registrado pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia). Entre os dados considerados mais simbólicos está a redução da fome em lares chefiados por mulheres negras, grupo historicamente mais afetado pelas desigualdades sociais.

Segundo o levantamento, os índices de insegurança alimentar grave atingiram os menores patamares da série histórica também quando analisado o perfil dos domicílios.

Entre os lares chefiados por mulheres, a taxa ficou em 3,6%. Nos domicílios liderados por pessoas negras, o índice foi de 4,1%. Já nos lares comandados por mulheres negras – segmento historicamente mais exposto às desigualdades – a taxa chegou a 4,5%, também o menor nível já observado.

O resultado reforça a saída do Brasil do Mapa da Fome, anunciada em julho de 2025 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU). A média trienal de 2022, 2023 e 2024 colocou o país abaixo do limite de 2,5% da população em risco de subnutrição ou com acesso insuficiente à alimentação.

De acordo com a Ebia, os domicílios em situação de insegurança alimentar grave recuaram para 3,2% em 2024, o menor índice já registrado na série histórica.

Políticas públicas e combate à fome

Para a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), Valéria Burity, os dados indicam que as políticas públicas passaram a alcançar os grupos mais vulneráveis.

“Quando você dá a centralidade para o tema do combate à fome, você coloca ele na sua agenda política, isso vai se convertendo em políticas públicas”, afirmou Burity.

“A redução da fome é resultado de decisões políticas que priorizaram a geração de emprego e renda, o fortalecimento da agricultura familiar, a ampliação dos recursos para a alimentação escolar e o acesso à alimentação adequada e saudável, articuladas no âmbito do Plano Brasil Sem Fome”, completou a secretária.

Entre os fatores apontados para a queda da insegurança alimentar está a ampliação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). A partir de 2023, houve uma reorganização da governança do sistema, com a retomada de reuniões da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) e a reinstalação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).

Também foram aprovados o Plano Brasil Sem Fome, o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Plano Nacional de Abastecimento e outras estratégias intersetoriais voltadas ao combate à fome.

“Essa reconstrução institucional não foi apenas formal, ela reorganizou a ação do Estado. O avanço da coordenação interfederativa fortaleceu o diálogo com estados e municípios”, explicou Burity.

Adesão de municípios ao sistema

A adesão de municípios ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional cresceu nos últimos anos. O número passou de 536 cidades em 2022 para 2.152 em 2026.

Dados da pesquisa Munic 2024 apontam que 51,4% dos municípios já possuem Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, enquanto 36,3% contam com lei municipal específica sobre o tema. Outros 24,5% possuem Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan).

Para a secretária do MDS, a redução histórica da insegurança alimentar entre lares chefiados por mulheres negras mostra que políticas públicas estruturadas e integradas podem gerar impacto direto na redução das desigualdades.

“Os números reforçam que o combate à fome está diretamente ligado à inclusão produtiva, à proteção social e à garantia de direitos – agenda que impacta de forma decisiva a vida das mulheres, especialmente das mulheres negras”, concluiu Burity.

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