quinta-feira, 12 março, 2026

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Erika Hilton reage a fala transfóbica de Ratinho e aciona MPF

O SBT se manifestou oficialmente na manhã desta quinta-feira (12) sobre as declarações do apresentador Carlos Massa envolvendo a deputada federal Erika Hilton. A emissora afirmou repudiar “qualquer tipo de discriminação e preconceito” e informou que o caso está sendo analisado internamente.

Segundo a empresa, as declarações feitas ao vivo no programa do apresentador não representam a posição da emissora. “O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”, informou a nota.

As falas ocorreram após a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

Durante o programa, Ratinho questionou a escolha da parlamentar para o cargo. “Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?”, disse o apresentador.

Ele também afirmou: “Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente”.

Em outro momento, Ratinho voltou a comentar o tema. “Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Elas não me fez nada, ela fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher”, declarou.

Resposta da deputada

Após a repercussão das declarações, Erika Hilton se manifestou nas redes sociais e comentou sua eleição para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara.

Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história e também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas”, afirmou.

A parlamentar também destacou que desigualdades sociais influenciam o acesso a direitos. “Porque não é apenas a questão trans que determina como uma mulher será tratada ou destratada. A raça, a classe, o CEP e tantas outras condições ainda definem quem tem direitos garantidos e quem precisa lutar todos os dias para existir com dignidade.”

Em outro trecho, ela ressaltou a importância do cargo que passou a ocupar. “Por isso, hoje ocupei com honra, alegria e um sabor muito especial de vitória a presidência da Comissão da Mulher.”

Ação no Ministério Público

A deputada também acionou o Ministério Público Federal para investigar as declarações de Ratinho e da emissora.

Na representação, a parlamentar solicita a abertura de uma ação civil pública e pede indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos causados à população trans e travesti.

De acordo com a colunista Mônica Bergamo, a deputada pretende que o valor seja destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, com aplicação em projetos e organizações voltadas à defesa de mulheres trans, travestis e cisgênero vítimas de violência de gênero.

O documento encaminhado ao MPF sustenta que o apresentador negou a identidade de gênero da parlamentar ao comentar sua eleição para a Comissão da Mulher da Câmara.

A representação também argumenta que a conduta reforça preconceitos e atinge coletivamente mulheres trans e travestis.

No pedido, a defesa ainda solicita que o apresentador e o SBT sejam obrigados a fazer retratação pública, exibida em horário nobre e com duração equivalente à da fala considerada discriminatória.

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