Da Redação
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) identificou que mais de 6,5 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas e não justificaram a ausência entre as eleições de 2020 e 2024. Os dados fazem parte de relatório apresentado pelo Grupo de Pesquisas Judiciárias (GPJ), que analisou o comportamento do eleitorado no estado e na capital Salvador.
Ao todo, 6.577.350 eleitores(as) não participaram dos pleitos analisados. Em 2020, foram registradas 2.240.067 abstenções; em 2022, o número subiu para 2.408.763; e, em 2024, ficou em 1.928.520.
Em Salvador, os dados mostram variação ao longo dos anos. Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, dos 1.897.098 eleitores aptos, 1.395.103 (73,54%) compareceram às urnas, enquanto 501.995 (26,46%) se abstiveram. Em 2022, a participação aumentou: dos 1.983.198 aptos, 1.627.853 (82,08%) votaram e 355.345 (17,92%) não compareceram. Já em 2024, dos 1.969.757 eleitores, 1.508.864 (76,60%) participaram e 460.893 (23,40%) se abstiveram.
Perfil do eleitor faltoso
O estudo também traçou o perfil de quem mais deixa de votar. A abstenção é mais frequente entre pessoas com mais de 70 anos ou entre 21 e 29 anos, com baixa escolaridade e estado civil viúvo ou separado judicialmente. Há ainda maior incidência entre pessoas com deficiência e eleitores com voto facultativo.
Os dados foram coletados no Portal de Estatísticas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Relatório Gerencial Eleições 2024 do TRE-BA, combinando análises quantitativas e qualitativas.
Segundo a coordenadora do GPJ, Tatiana Almeida, o levantamento contribui para o fortalecimento da democracia. “Os resultados poderão subsidiar ações de diferentes áreas do Tribunal, tanto no processo eleitoral quanto no fortalecimento da cidadania e na melhoria dos serviços prestados pelo Regional à população”, afirmou.
Medidas para reduzir a abstenção
O relatório recomenda a adoção de medidas para ampliar a participação eleitoral. Entre elas, estão a expansão de seções acessíveis para pessoas com deficiência, oferta de transporte adequado e fortalecimento de campanhas informativas em formatos inclusivos, como vídeos com Libras, áudio-descrição e materiais em braille.
Também é sugerido o reforço de parcerias com escolas públicas e universidades para ações educativas sobre a importância do voto. No campo logístico, o estudo propõe transporte público gratuito ou subsidiado nos dias de eleição, principalmente em áreas rurais e comunidades periféricas, além do aumento da segurança em locais de votação mais vulneráveis.
Outras ações incluem o combate à desinformação, com ampliação de canais oficiais para esclarecimento de boatos, e o monitoramento contínuo das taxas de abstenção, com recortes por escolaridade, idade, gênero, raça/cor e deficiência.

