Da Redação

No imaginário popular, o termo “corno” ainda é associado à traição e à dor. No entanto, uma parcela crescente de brasileiros tem atribuído novos significados à palavra, especialmente dentro de práticas consensuais como o cuckold, em que o homem sente excitação ao ver ou saber que sua parceira se relaciona com outros.
Para entender como essa dinâmica funciona, o Sexlog, maior rede social adulta da América Latina, ouviu Jeff*, 50, morador do Rio de Janeiro, que afirma viver há mais de 20 anos relações liberais e, há quase sete anos, um casamento baseado nesse fetiche com a esposa, conhecida como Rainha, 30.
Fisiculturista e tatuado, Jeff diz que não se encaixa no estereótipo associado ao termo. Segundo ele, a mudança em seu relacionamento começou após descobrir uma traição no início da relação. “Eu percebi que aquilo me despertava tesão e não ciúmes ou tristeza”, conta.
A partir desse episódio, o casal passou a conversar abertamente sobre desejos e fantasias. Entre os pontos em comum, estava a vontade dela de se relacionar com mais de um parceiro ao mesmo tempo, o que deu início a uma nova dinâmica no relacionamento.
Prazer e contemplação
Jeff afirma que o prazer está ligado principalmente à observação. “O meu tesão é admirá-la. Ver o prazer dela, as expressões, o corpo. Quem está com ela, pra mim, é secundário”, explica.
De acordo com Mayumi Sato, CMO do Sexlog, essa prática não está associada à falta de vínculo afetivo. “Pelo contrário. Em muitos casos, como o deles, a prática reforça a intimidade e a cumplicidade do casal”, afirma.
Regras e limites
Apesar da liberdade, o casal mantém regras claras. A Rainha não participa de encontros sozinha, Jeff não se envolve com outras mulheres e o uso de preservativo é obrigatório. “A traição, pra mim, é quando existe mentira ou algo escondido. O que a gente vive é o oposto disso: tudo é conversado”, diz.
Ao longo do tempo, eles relatam ter enfrentado inseguranças, principalmente no início. Segundo Rainha, parte das dificuldades esteve relacionada a fatores externos. “Com o tempo, entendemos que muitos imprevistos estavam ligados à ansiedade de terceiros, e não a falhas na dinâmica entre nós”, conta.
Compartilhamento e comunidade
Com o amadurecimento da relação, o casal passou a registrar experiências e compartilhar conteúdos em plataformas adultas, como o Hotvips. A prática também abriu espaço para interação com outras pessoas interessadas no tema.
“Já ajudamos vários casais a dar os primeiros passos. Sempre com a mesma base: diálogo, respeito e consentimento”, afirma Jeff.

