segunda-feira, 1 junho, 2026

EXPEDIENTE | CONTATO

MPF-BA investiga programa “Alô Juca” por usar elementos infantis em coberturas policiais na TV

Da Redação

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar supostas irregularidades na exibição do programa policial “Alô Juca”, comandado pelo jornalista Marcelo Castro e exibido pela TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia.

A medida foi oficializada por meio de portaria assinada pelo procurador da República Leandro Bastos Nunes e publicada no Diário do MPF. A informação é da reportagem de Neison Cerqueira, do site Bahia.ba.

Uso de elementos infantis é alvo da investigação

Segundo o Ministério Público Federal, a investigação apura o uso de bonecos, personagens e animações em 3D ligados ao universo infantil durante a cobertura de crimes e ocorrências policiais exibidas pelo programa em horário diurno.

De acordo com a portaria, a prática pode provocar confusão no público infantojuvenil e levantar questionamentos sobre o cumprimento das regras de classificação indicativa.

O procedimento foi instaurado após uma representação protocolada no órgão federal. O documento aponta que elementos visuais geralmente associados a conteúdos infantis estariam sendo utilizados para ilustrar notícias envolvendo violência e criminalidade entre 11h e 13h55.

Constituição e proteção à infância

O MPF argumenta que a Constituição Federal garante proteção integral às crianças e adolescentes, determinando que esse público seja preservado de conteúdos inadequados.

O órgão também destacou que emissoras de rádio e televisão operam por meio de concessões públicas e, por isso, devem respeitar valores éticos e sociais relacionados à pessoa e à família.

No despacho, o Ministério Público definiu como objeto da investigação:

“Apuração de suposta irregularidade na exposição de elementos do universo infantil em conteúdo impróprio no programa ‘Alô Juca’ para ilustrar coberturas criminais, gerando potencial confusão de público e risco à classificação indicativa durante o horário das 11h às 13h55.”

Próximos passos da investigação

Com a instauração do inquérito civil, o MPF poderá requisitar documentos, informações e esclarecimentos dos responsáveis pelo programa e da emissora.

A portaria também determina a reiteração de ofícios encaminhados anteriormente durante o procedimento preparatório que antecedeu a investigação.

O órgão federal ressaltou ainda que o não atendimento injustificado das requisições ministeriais poderá gerar responsabilização dos envolvidos, conforme previsto na Lei Complementar nº 75/1993.

A abertura do inquérito não significa que houve irregularidade comprovada. Nesta etapa, o objetivo é reunir informações e esclarecer os fatos relacionados ao conteúdo exibido pelo programa.

Ao final da apuração, o MPF poderá arquivar o caso, firmar acordo para adequação do conteúdo ou adotar medidas judiciais e extrajudiciais, caso identifique violação das normas de proteção à infância e adolescência.

Publicidade

Arquivos