Da Redação
Em entrevista nesta quinta-feira (19) à BandNews, o senador Jaques Wagner (PT) se falou sobre o apartamento de alto padrão citado em investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) e negou qualquer transferência patrimonial em seu favor ou relação comercial com o Banco Master. O petista afirmou que a negociação envolvendo o imóvel teria ocorrido com finalidade de investimento e futura recompra.
Segundo Wagner, o imóvel está localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador, e o interesse surgiu para auxiliar sua filha na aquisição de uma unidade residencial.
“É um apartamento que está em construção, aqui no Horto. Tinha o interesse de dar ou ajudar a minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Augusto Lima é um investidor, disse à ele ‘você pode comprar, depois eu recompro’. Porque o apartamento ainda não está em construção e eu teria que vender o apartamento de minha filha e pagar ou ela financiá-lo'”, explicou.
O senador também rejeitou qualquer ligação com o Banco Master ou com a operação do Credcesta.
“Não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim. Não tenho nenhum negócio com o Master ou Credcesta. Nós privatizamos a rede de supermercados Cesta do Povo. E essa rede levou junto o cartão [Credcesta]. Daí para a frente, foi um negócio desenvolvido pelo banco e pelo próprio Augusto Lima”, afirmou.
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Apartamento e atuação legislativa entram na mira da PF
De acordo com informações da Polícia Federal, um dos principais elementos analisados na investigação envolve a suposta aquisição de um apartamento de alto padrão no empreendimento Poème Horto, em Salvador.
Conforme decisão do ministro André Mendonça, em 26 de novembro de 2024, Jaques Wagner teria enviado a Augusto Lima, conhecido como Guga Lima, o contato do gerente da construtora responsável pelo empreendimento. Na mensagem, o senador teria informado interesse na unidade 1702, avaliada em R$ 2,45 milhões.
No dia seguinte, Wagner teria encaminhado material digital do empreendimento, que posteriormente foi repassado por Lima a Valério Marega Júnior, apontado pela PF como operador financeiro ligado ao grupo investigado.
As investigações indicam que as tratativas relacionadas ao imóvel continuaram nos meses seguintes. Em maio de 2025, o senador teria encaminhado a Augusto Lima mensagens atribuídas a um de seus filhos solicitando informações sobre o proprietário formal da unidade para emissão do Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), documento exigido para modificações no projeto arquitetônico.
Após uma ligação telefônica, Augusto Lima teria enviado ao parlamentar o contato de David Lopes Monteiro, apontado pelos investigadores como integrante da estrutura que teria operacionalizado a aquisição do imóvel. Para a PF, a sequência de mensagens reforçaria a hipótese de que o apartamento estaria registrado em nome de terceiros para ocultar seu verdadeiro beneficiário.
Além da questão patrimonial, a Polícia Federal também apura possíveis interlocuções entre Jaques Wagner e integrantes do Banco Master sobre assuntos de interesse da instituição financeira.
A representação menciona a participação do senador em discussões relacionadas ao crédito consignado e cita contatos envolvendo a apresentação de emendas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023, que trata do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Em uma das conversas mencionadas pela investigação, Augusto Ferreira Lima teria encaminhado ao parlamentar o link de uma emenda logo após uma ligação telefônica com duração superior a nove minutos.
Outro trecho destacado pela PF envolve uma mensagem enviada por Augusto Lima a Jaques Wagner em março de 2025, durante negociações relacionadas à venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Na conversa, o empresário escreveu ao senador: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso”.
Até o momento, Jaques Wagner sustenta que não possui relação comercial com o Banco Master e que não houve transferência de patrimônio em seu favor.
