sábado, 20 junho, 2026

EXPEDIENTE | CONTATO

Cortejo Junino em homenagem a Bule Bule acontece no Centro Histórico neste fim de semana

Da Redação

As ruas do Centro Histórico de Salvador recebem neste sábado (20) e domingo (21) as últimas apresentações do Cortejo Junino do Arraiá da Prefs 2026. Com o tema “Um Cordel de Amor no Arraiá da Prefs”, o espetáculo presta homenagem ao mestre Bule Bule e reúne mais de 150 artistas em sete alas temáticas, ocupando a Rua Chile e a Praça Municipal com música, dança, teatro e manifestações da cultura popular nordestina.

As apresentações acontecem às 19h neste sábado e às 18h no domingo, conduzindo moradores e turistas por uma narrativa inspirada no universo da literatura de cordel. Entre personagens populares, noivos de quadrilha e referências às tradições nordestinas, o cortejo transforma as ruas do Centro Histórico em um grande palco a céu aberto.

O presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, destacou a importância da iniciativa para os festejos juninos da capital baiana.

“Trazemos sempre temas que dialogam com a tradição junina. Neste ano, trabalhamos com o cordel, que tem uma relação muito forte com o São João. É um espetáculo que reúne música, dança e uma homenagem à literatura popular, criando uma linguagem em movimento que conversa diretamente com a nossa cultura”, afirma.

Segundo Guerreiro, o cortejo se consolidou como um dos momentos mais aguardados da programação.

“O espetáculo tem uma função muito interessante, que é trazer o espírito junino para a festa. Além de ocupar as ruas do Centro Histórico, o cortejo percorre todo o circuito levando alegria e tradição. É como a cereja do bolo dos festejos”, diz.

A dramaturgia acompanha a história de amor entre João e Rosinha, personagens criados pelo dramaturgo Cláudio Simões em parceria com o diretor artístico George Vladimir, idealizador do espetáculo. O enredo foi desenvolvido a partir da linguagem do cordel, elemento central da narrativa.

“O desafio era fazer tudo em cordel, já que o tema é ‘Um Cordel de Amor no Arraiá da Prefs’. Optei por escrever em sextilhas, que são estrofes de seis versos muito presentes nessa tradição literária. Foi um processo muito prazeroso, costurando a história com as canções para criar uma narrativa fluida e envolvente”, explica Simões.

A homenagem ao mestre Bule Bule também serviu como base para a construção do espetáculo.

“Desde o início, a ideia era que o cordel estivesse presente em toda a história. Fiz questão de manter essa linguagem do começo ao fim, conectando os textos às músicas”, acrescenta o dramaturgo.

Simões destaca ainda a participação do público ao longo da temporada.

“As pessoas acompanham a história, seguem o cortejo e se envolvem com os personagens. É muito bonito ver essa interação. O cortejo já se consolidou como um dos momentos mais especiais do Arraiá da Prefs, levando arte e tradição para as ruas do Centro Histórico”, afirma.

História de amor e identidade nordestina

A atriz Malena Arlego, intérprete de Rosinha, afirma que a personagem representa uma das experiências mais marcantes de sua trajetória artística.

“Rosinha é uma menina-mulher que carrega a vivência do sertão, mas também uma alma sonhadora e um coração apaixonado. Ela tem vontade de viver, correr atrás dos seus sonhos e escrever a própria história. Acho que todo mundo tem um pouquinho de Rosinha dentro de si. É uma personagem muito rica, cheia de emoção, desejo, saudade e esperança”, relata.

Para a atriz, a união entre o cordel e as tradições juninas fortalece a conexão do público com a história.

“Ver essa história de amor ganhando vida em meio ao forró, às tradições do São João e à poesia do cordel é algo muito bonito. Tem sido uma experiência incrível dividir essa vivência com profissionais tão talentosos, em um ambiente leve e acolhedor. Dar vida a Rosinha é, sem dúvida, um presente”, completa.

O ator Cícero Lopes, responsável por interpretar João, ressalta que o personagem representa muitos nordestinos que precisaram deixar sua terra natal em busca de oportunidades.

“João representa muitos homens e mulheres do sertão que precisaram deixar sua terra em busca de oportunidades. O que mais me toca no personagem é justamente esse amor pelo lugar de onde ele veio e o desejo de construir uma vida melhor sem perder suas raízes. Além da paixão por Rosinha, ele carrega o sonho de prosperar e encontrar caminhos para transformar sua realidade”, afirma.

Segundo o ator, a história dialoga com sentimentos presentes em diversas canções tradicionais do período junino.

“São personagens que falam de afeto, pertencimento e esperança. Através deles, contamos um pouco da história de muitos nordestinos”, diz.

Integração entre arte, música e tradição

O assistente de direção Artur Carvalho explica que o espetáculo foi concebido para integrar diferentes linguagens artísticas em uma experiência imersiva.

“O texto de Cláudio Simões utiliza a linguagem do cordel como fio condutor da narrativa, enquanto as canções ajudam a contar e impulsionar a história de amor entre João e Rosinha. Tudo foi pensado para criar uma experiência multilinguagem na qual teatro, dança e música dialogam o tempo inteiro”, explica.

A estética da montagem também valoriza elementos tradicionais da cultura nordestina, com referências à xilogravura, ao sertão e às manifestações populares.

“Temos alas inspiradas na xilogravura, com figurinos, maquiagens e movimentos que remetem ao universo visual do cordel. Também trabalhamos imagens do sertão florido e da seca, mostrando a força, a diversidade e a potência cultural do Nordeste. O cortejo apresenta diferentes olhares sobre uma mesma história, permitindo que o público acompanhe essa narrativa por diversos caminhos e perspectivas”, completa.

As apresentações integram a programação gratuita do Arraiá da Prefs 2026, que ao longo de junho reúne atrações culturais, gastronômicas e de lazer no Centro Histórico de Salvador.

Publicidade

Arquivos