quarta-feira, 24 junho, 2026

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Haddad defende Jaques Wagner: “Sou testemunha de que ele atuou contra o Master”

Da Redação

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) após o parlamentar ser alvo de mandados de busca e apreensão durante uma operação da Polícia Federal. Em declaração divulgada nesta terça-feira (23), para a coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São PauloHaddad afirmou que acompanhou a atuação do senador em discussões relacionadas ao Banco Master e negou que Wagner tenha trabalhado em favor da instituição financeira.

“Sou testemunha de que ele atuou contra o Banco Master e ajudou o governo a bloquear os interesses da instituição”, declarou Haddad. O ex-ministro acrescentou: “Posso depor onde ele quiser”.

A manifestação representa um posicionamento mais contundente em relação às declarações feitas por Haddad logo após a operação policial realizada na semana passada. Na ocasião, ele havia afirmado apenas esperar que a Justiça esclarecesse os fatos.

Defesa questiona decisão do STF

Na segunda-feira (22), Jaques Wagner apresentou recurso ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestando a decisão que autorizou a realização das buscas em seus endereços.

Os advogados do senador alegam que existem “erros graves que comprometem a medida”. Entre os pontos questionados está a suspeita de que Wagner teria atuado no Congresso Nacional para favorecer interesses do Banco Master.

Segundo a defesa, o parlamentar teria adotado posição contrária à chamada “Emenda Master”, proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que previa a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Haddad diz que pediu apoio contra emenda

Ao comentar o caso, Haddad afirmou que participou diretamente das discussões envolvendo a proposta e que Wagner atuou em alinhamento com o governo federal.

“Ele agiu contra o Master inclusive a meu pedido. Conversamos sobre essa emenda e eu expliquei a situação e a necessidade de votarmos contra. Ele entendeu, concordou e encaminhou a votação nesse sentido”, declarou.

O ex-ministro reforçou sua versão ao afirmar que o senador baiano teria contribuído para barrar os interesses defendidos pela instituição financeira no Senado Federal.

“Sou testemunha de que ele atuou contra o Master. Jaques Wagner bloqueou os interesses do banco no Senado, e não o contrário”, afirmou Haddad.

Operação encontrou dinheiro em espécie

Jaques Wagner foi um dos 18 alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal durante mais uma fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Durante as diligências, os agentes apreenderam US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao senador. De acordo com estimativas atuais, os valores somam cerca de R$ 471 mil.

O parlamentar afirmou que parte dos recursos correspondia a diárias de viagens pagas pelo Senado Federal. Segundo ele, o restante foi obtido por meio de operações financeiras regulares.

Investigação também cita empresário

De acordo com a investigação, o senador mantém relação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Conforme informações da Polícia Federal, Lima teria realizado operações e favores que passaram a integrar o escopo das apurações.

Entre os fatos mencionados pelos investigadores estão a compra de um apartamento que, segundo a PF, seria utilizado pelo senador, além do empréstimo de aeronaves particulares e da aquisição de ingressos para um show nos Estados Unidos, avaliados em R$ 63 mil.

O caso segue sob análise das autoridades competentes e ainda não há decisão definitiva sobre as suspeitas investigadas.

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