sexta-feira, 26 junho, 2026

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Michelle Bolsonaro afirma que foi desrespeitada por Flávio : ‘não queria o meu apoio’

Da Redação

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (24), que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ),  filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro, a desrespeitou, a maltratou e teria deixado subentendido que não queria seu apoio para sua pré-candidatura à Presidência da República. A infromação é da Folha de São Paulo.

Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais em que também critica articulações políticas do PL no Ceará e relata bastidores de desentendimentos familiares. Segundo ela, houve divergências após seu apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE).

De acordo com a ex-primeira-dama, Flávio teria feito críticas públicas antes de falar diretamente com ela e, ao retornar o contato telefônico, teria sido ríspido. Michelle afirmou ainda que foi orientada a se afastar das decisões partidárias.

“Voltando ao Flávio, telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou.

Ela continuou: “Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha, e assim permaneço”.

Após as declarações, Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo em suas redes sociais em que aparece com uma camisa da seleção brasileira e afirma que era “dia de jogo” e que “hoje, nada nem ninguém me aborrece”.

Sem citar nomes, Michelle também afirmou que tem sido alvo de distorções e notícias falsas na imprensa, incluindo a de que estaria insatisfeita por não ter sido escolhida como candidata à Presidência da República por Jair Bolsonaro. Ela disse que, neste momento, sua prioridade não são candidaturas, mas a família e o marido.

A ex-primeira-dama afirmou ainda que preside o PL Mulher e que o movimento ampliou o número de mulheres eleitas, mas disse que, para Flávio e pessoas próximas a ele, ela “não entende nada de política”.

Michelle acrescentou que o enteado frequenta sua casa com frequência e que poderia ter buscado diálogo direto. Segundo ela, os fatos relatados ocorreram antes da definição de apoio político do ex-presidente ao filho mais velho.

“Tudo bem. Eu me recolhi. E desde esse dia [da ligação por causa do palanque no Ceará] ele não me procurou mais. E eu também não o procurei mais porque estou respeitando o que ele falou e é só isso”, disse Michelle. “O Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha. Continuarei recolhida”, prosseguiu.

Disputa política no Ceará e bastidores

Michelle e Flávio Bolsonaro estavam previstos para participar do mesmo evento no próximo dia 10, no Ceará, durante o lançamento das candidaturas de Priscila Costa (PL) e Alcides Fernandes (PL), ao Senado.

Segundo aliados da ex-primeira-dama, havia expectativa de um gesto de unidade política, mas divergências internas no partido e ataques nas redes sociais teriam motivado a mudança de postura e a divulgação dos vídeos.

Michelle também negou que tenha imposto condições políticas, como pedido de desculpas público ou rompimento de alianças, para apoiar Flávio Bolsonaro.

Críticas a alianças e tensão interna no PL

Nos vídeos, a ex-primeira-dama criticou a aproximação do PL com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e defendeu o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE), a quem classificou como o único candidato “verdadeiramente de direita”.

“Ele [Ciro] chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento. Disse que Bolsonaro roubava gasolina. Disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras. Disse que os filhos do meu marido -os meus enteados- eram corruptos, que eram ladrões. E deu a eles um apelido: ovos de serpentes nazistoides”, afirmou.

“Tenho o direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles. Tenho o direito de ser coerente com os valores que eu acredito. Eu não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista. Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno”, completou.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) republicou os vídeos e elogiou a ex-primeira-dama, afirmando: “Coerente! Forte! Corajosa! Verdadeira! Amo você amiga!”.

Flávio Bolsonaro foi indicado por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência da República no fim do ano passado, quando o ex-presidente já estava preso. Michelle chegou a ser cogitada como possível candidata do PL, mas o ex-presidente teria demonstrado resistência à ideia. Atualmente, ela deve disputar o Senado pelo Distrito Federal.

Flávio nega humilhação

O senador  negou ter humilhado ou desrespeitado a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), após a divulgação de vídeos em que ela afirmou ter sido maltratada pelo enteado.

Em nota publicada nas redes sociais, o político afirmou que mantém histórico de respeito às mulheres e que jamais teria agido de forma ofensiva contra Michelle.

“Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, disse o senador. “Tenho 45 anos de idade, 24 anos de vida pública e sou reconhecido pelo meu equilíbrio, educação e respeito com todos, até com meus adversários políticos”.

Flávio afirmou ainda que, em nenhum momento, teve a intenção de ofender a ex-primeira-dama. “Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”.

O senador declarou respeitar Michelle pelo trabalho no Partido Liberal (PL), pelo cuidado com o ex-presidente Jair Bolsonaro e pelo papel que exerce no cenário político nacional.

“Toda nossa família está passando por um momento muito difícil. E entendo a angústia da Michelle vendo meu pai, todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça”, escreveu.

Crise familiar e disputa política

Flávio Bolsonaro também comentou o clima de tensão familiar e afirmou que diferenças de posicionamento são naturais.

“Eu também sofro, mas sigo firme. Viajando o Brasil carregando o manto que meu pai me deu, passando dias longe de casa, da minha esposa, das minhas filhas, sem poder orar e dar um beijo nelas antes de dormir, sofrendo ameaças de morte e, mesmo, sigo focado na missão”, afirmou.

Segundo ele, divergências políticas não são incomuns dentro de famílias ou ambientes públicos. “Isso acontece nas famílias, nas empresas e também na vida pública”.

O senador reforçou ainda que suas decisões políticas contam com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e pediu unidade em torno da campanha contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Convite a reunião com mulheres conservadoras

Flávio Bolsonaro afirmou que entrou em contato com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) na terça-feira (23) para organizar uma reunião com lideranças femininas conservadoras, com o objetivo de ouvir contribuições para sua pré-campanha à Presidência da República.

Segundo ele, sugeriu que Michelle Bolsonaro fosse convidada para o encontro e disse ter agido “de coração aberto”.

Na quarta-feira (24), o senador afirmou ter tentado contato direto com a ex-primeira-dama para reforçar o convite. “Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei mensagem. Também não retornou”.

Flávio disse ter sido surpreendido pelos vídeos publicados por Michelle e afirmou que o convite segue mantido.

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