Da Redação

A antiga Fábrica São Brás (Fagip), um dos principais símbolos da história do bairro de Plataforma, em Salvador, poderá ganhar uma nova função social, cultural e econômica. O vereador Palhinha (União) é autor do Projeto de Indicação nº 176/2023, aprovado pela Câmara Municipal de Salvador, que solicita ao governador Jerônimo Rodrigues a realização de um estudo de viabilidade técnica para revitalizar o imóvel e transformá-lo em um Polo Cultural, reunindo atividades artísticas, turismo e gastronomia.
Segundo o parlamentar, a proposta busca preservar um importante patrimônio histórico da capital baiana e criar novas oportunidades de desenvolvimento para a comunidade do Subúrbio Ferroviário.
Conforme defende Palhinha, a iniciativa aprovada pelo Legislativo municipal “busca devolver vida a um espaço que faz parte da identidade de Plataforma e da história industrial de Salvador, criando um ambiente voltado para a cultura, o empreendedorismo e a geração de oportunidades para a população”.
O vereador destacou que a revitalização do imóvel representa um investimento tanto na preservação da memória quanto no futuro da região.
“A antiga fábrica representa a história de muitas famílias que viveram e trabalharam na região. Revitalizar esse espaço significa transformar um patrimônio que hoje está subutilizado em um local de convivência, incentivo à cultura e desenvolvimento econômico para a comunidade”.
Espaço para cultura e empreendedorismo
A proposta prevê que o Polocultural passe a sediar apresentações artísticas, exposições, feiras de artesanato, eventos culturais e um polo gastronômico, valorizando artistas locais e fortalecendo o potencial turístico do Subúrbio Ferroviário.
Além disso, o equipamento poderá estimular o empreendedorismo, favorecer pequenos negócios, gerar empregos e movimentar a economia da região.
Para Palhinha, o projeto também representa uma oportunidade de fortalecer a identidade local e ampliar o reconhecimento de Plataforma.
“Quando um patrimônio histórico é recuperado e colocado a serviço da população, toda a comunidade ganha. Queremos que Plataforma seja reconhecida não apenas por sua história, mas também por sua cultura, sua gastronomia e pela capacidade de atrair visitantes e investimentos”, pontua.
O vereador afirma ainda que a iniciativa reforça seu compromisso com políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio histórico, inclusão social e desenvolvimento sustentável, defendendo a reutilização de espaços históricos como instrumentos de valorização das comunidades.
História da Fábrica São Brás
Fundada em 1875, a Fábrica São Brás teve papel decisivo no desenvolvimento do bairro de Plataforma. A expansão das atividades industriais impulsionou o crescimento da região, que se consolidou como um importante bairro operário de Salvador.
Desativada em 1959, a edificação, construída em arquitetura neoclássica e com área de 39 mil metros quadrados, encontra-se atualmente em ruínas. O imóvel é tombado como patrimônio histórico estadual pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) desde novembro de 2002, sob o processo nº 003/1997.
De acordo com informações da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do site Patrimônio Arquitetônico Industrial, a fábrica foi fundada pelos imigrantes portugueses Manoel Francisco de Almeida Brandão e Antonio Francisco Brandão Jr.
Após uma reforma realizada em 1886, a unidade foi adquirida, em 1891, pela Companhia Progresso Industrial da Bahia. Entre 1907 e 1910, passou por uma nova ampliação que aumentou sua capacidade produtiva com a incorporação de prédios anexos.
Em 1932, ocorreu a fusão entre a Companhia Progresso Industrial e a Companhia União Fabril. Anos depois, em 1944, mudanças administrativas e o declínio da indústria têxtil baiana contribuíram para a desativação definitiva da Fábrica São Brás e de outras unidades pertencentes ao grupo.
A proposta de revitalização busca resgatar esse patrimônio histórico, conciliando preservação da memória com novos usos voltados à cultura, ao turismo e ao desenvolvimento econômico da comunidade.

