segunda-feira, 6 julho, 2026

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Mulher é presa por ataque racista a terreiro de camdomblé no bairro da Pituba

Da Redação

Uma mulher de 45 anos foi presa preventivamente pela Polícia Civil da Bahia suspeita de envolvimento em um ataque racista contra um terreiro de candomblé em Salvador. A ação, que ocorreu na manhã desta segunda-feira (6),  foi realizada no bairro da Pituba e também cumpriu um mandado de busca e apreensão. A informação é do Correio*.

A suspeita é investigada pelos crimes de racismo religioso e dano qualificado. Segundo a Polícia Civil, a prisão é resultado das investigações sobre as pichações feitas no terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, localizado em Cajazeiras XI, onde a fachada e o portão de entrada foram marcados com inscrições de caráter discriminatório e ofensivo.

O terreiro atua há 33 anos na comunidade. Na época do crime, o babalorixá Pai Mutá informou que as palavras “assassinos” e “Jesus” foram escritas com tinta vermelha na entrada do espaço religioso. O portão de pedestres, o interfone e a caixa de correio também foram cobertos pela tinta.

Ainda de acordo com o líder religioso, uma filha de santo identificou as pichações ao chegar ao local nas primeiras horas da manhã. Ele afirmou que aquele havia sido o primeiro episódio do tipo registrado contra o terreiro e ressaltou que a casa sempre manteve uma convivência respeitosa com os moradores da região, além de desenvolver trabalhos sociais voltados para a comunidade.

Na ocasião, o terreiro divulgou uma nota em que declarou: “Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por Justiça”.

O caso teve repercussão nacional. A Fundação Cultural Palmares divulgou uma nota de repúdio ao ataque, classificando o episódio como uma grave violação à liberdade religiosa. No texto, o órgão afirmou que ataques a terreiros de religiões de matriz africana não são “casos isolados” nem “meras depredações”, mas violações aos direitos fundamentais.

A fundação também manifestou solidariedade ao babalorixá Pai Mutá e à comunidade do Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, defendendo a investigação do caso, a responsabilização dos envolvidos e a adoção de políticas de proteção aos espaços religiosos.

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), vinculada ao Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV). Segundo a Polícia Civil, a análise de imagens de videomonitoramento e a coleta de outras provas permitiram identificar a suspeita e fundamentaram o pedido das medidas judiciais.

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, os policiais recolheram dois celulares, um notebook e agendas. Os materiais serão submetidos à perícia e poderão contribuir para o aprofundamento das investigações.

Após passar pelos exames legais, a mulher permaneceu à disposição do Poder Judiciário. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para o completo esclarecimento dos fatos.

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