Da Redação
O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos. O novelista estava internado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, devido a complicações provocadas por insuficiência renal crônica, doença que tratava havia três anos e que já havia motivado sucessivas internações.
Natural de Gália, no interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931 e passou parte da infância em Vera Cruz. A convivência com cafezais e comunidades formadas por imigrantes europeus e asiáticos influenciou profundamente sua obra, marcada pela valorização da vida no campo, da cultura rural e das histórias do interior do país.
Na juventude, mudou-se para a capital paulista e posteriormente viveu por um período em Maringá, no Paraná. A experiência inspirou o romance Fogo Frio, adaptado para o teatro em 1959 e considerado sua primeira produção dramatúrgica.
Em entrevista à TV Globo, o autor relembrou a origem do título da obra:
“Fogo frio é porque a geada queima a plantação. Em 1952, aconteceu uma grande geada que dizimou os cafezais de Maringá, Marialva e Mandaguarí. Foi um desastre. Eu, primeiro, fiquei extasiado de ver a beleza de todo aquele verde coberto com um lençol branco. Quando o sol esquentou, queimou todo o café.”
Antes de consolidar a carreira como dramaturgo, Benedito Ruy Barbosa trabalhou como repórter esportivo após ser aprovado em concurso promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo. Também atuou como redator na agência de publicidade J.W. Thompson.
Carreira marcada por grandes sucessos
A estreia nas novelas ocorreu em 1966, com Somos Todos Irmãos, na TV Tupi. Ao longo das décadas seguintes, escreveu obras que marcaram a televisão brasileira, como Meu Pedacinho de Chão (1971), Cabocla (1979) e Sinhá Moça (1986).
Em 1990, lançou Pantanal, na TV Manchete. A novela tornou-se um fenômeno de audiência e entrou para a história da televisão brasileira. Décadas depois, a obra ganhou um remake produzido pela TV Globo.
Na sequência vieram outros sucessos, como Renascer (1993), consolidando o formato de novelas divididas em duas fases e com forte presença de cenários naturais.
O Rei do Gado e as polêmicas
Em 1996, Benedito Ruy Barbosa escreveu O Rei do Gado, novela que abordou a reforma agrária e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A trama provocou forte repercussão e levou o autor a receber ameaças.
Na época, ele comentou à Folha de S.Paulo:
“Foi a novela mais tensa que já fiz. Primeiro, adoeci, tive problemas de coluna, e atrasei os capítulos. E, por estar mexendo com os sem-terra, sempre andei na corda bamba, tentando conduzir a trama sem criar atritos.”
Apesar dos diferentes temas abordados, Benedito costumava destacar que o romance era o elemento central de qualquer novela.
“Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor.”
Esse conceito esteve presente em produções como Terra Nostra (1999) e Esperança (2002).
Últimos trabalhos e legado
A última novela escrita por Benedito Ruy Barbosa foi Velho Chico, exibida em 2016. A produção ficou marcada pela morte do ator protagonista, Domingos Montagner, que morreu afogado no Rio São Francisco durante as gravações.
Na vida pessoal, o autor foi casado por 56 anos com a atriz Marilene Leonor Barbosa, falecida em agosto de 2014 em decorrência de um câncer. Benedito deixa os filhos Edmara, Edilene, Marcelo e Ruy.
Considerado um dos principais novelistas da televisão brasileira, Benedito Ruy Barbosa revolucionou a dramaturgia ao valorizar cenários naturais, histórias ambientadas no campo e personagens ligados à formação social e cultural do Brasil. Suas novelas influenciaram gerações de autores e continuam entre as produções mais lembradas pelo público.
Seu legado permanece vivo por meio de obras que retrataram conflitos sociais, imigração, preservação ambiental, reforma agrária e grandes histórias de amor, consolidando seu nome como referência na dramaturgia nacional.
