quinta-feira, 9 julho, 2026

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Mateus da Costa Meira, autor de massacre em cinema, é visto em shopping de Salvador

Da Redação

Condenado pelo ataque a tiros que matou três pessoas e deixou outras nove feridas em um cinema de São Paulo, em 1999, o ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, de 51 anos, passou a frequentar regularmente o Shopping Barra, em Salvador. Solto pela Justiça da Bahia em 2024, ele tem sido visto circulando por cafés, livrarias e salas de cinema do centro comercial, segundo informações publicadas pelo colunista Ullisses Campbell, do jornal O Globo.

Foto: Reprodução

A presença de Mateus no local tem gerado apreensão entre lojistas e frequentadores. O Shopping Barra reúne 315 lojas, oito salas de cinema – três delas VIP – e recebe cerca de 50 mil visitantes por dia.

De acordo com a publicação, frequentadores passaram a fotografá-lo e compartilhar imagens em grupos de WhatsApp. Mateus mora sozinho em uma quitinete localizada a poucos quarteirões do shopping.

“Quando eu o vi pela primeira vez, fiquei em dúvida, porque ele está bem diferente. Mas logo a informação se espalhou no shopping, deixando os vendedores com medo”, relatou a comerciante Janaína Chaseliov, de 34 anos, à coluna.

Outro frequentador afirmou já ter encontrado o condenado diversas vezes nas dependências do cinema. “Também já vi o Mateus várias vezes na bilheteria do cinema. Está acima do peso e me parece bem sombrio. Me cumprimentou normalmente. Fiquei com medo porque ele carregava uma mochila”, disse Marco Antônio Damasceno, médico e ex-colega de infância.

Ataque no Morumbi Shopping

O crime ocorreu em 1999, durante uma sessão do filme “Clube da Luta”, no Morumbi Shopping, em São Paulo. A defesa de Mateus sustentou que ele era inimputável em razão de transtornos mentais, mas uma junta médica concluiu que, apesar dos distúrbios apresentados, ele possuía plena capacidade para compreender e planejar os atos.

Segundo a perícia, Mateus comprou uma submetralhadora por R$ 5 mil, adquiriu munições, consumiu cocaína e se hospedou em um hotel para dificultar o rastreamento antes do ataque.

Durante o inquérito, declarou: “Poderia ser na Câmara dos Deputados. Mas lá tem detector de metais. Por isso escolhi o shopping”.

O psiquiatra José Cássio Pitta, responsável por acompanhá-lo na época, afirmou: “Ele é perverso e tão frio que me deixava assustado”.

Mateus foi condenado em 2003 e encaminhado para a Penitenciária de Tremembé, em São Paulo.

Novo processo e internação

Transferido para Salvador em 2004, Mateus voltou a responder criminalmente após tentar matar um colega de cela com golpes de tesoura.

Desta vez, a defesa voltou a alegar inimputabilidade, tese acolhida pelo Ministério Público da Bahia e pelos jurados. Com isso, o juiz determinou a absolvição imprópria e sua internação por tempo indeterminado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia.

Relatórios apontaram ausência de arrependimento

Durante avaliações psiquiátricas, especialistas registraram falta de empatia pelas vítimas.

Em uma das entrevistas, Mateus afirmou:

“Eu me arrependo, mas é aquele arrependimento egoísta porque, é claro, a pessoa vai pensar primeiro em si mesma. Eu me arrependo primeiro em relação a mim, depois em relação aos meus pais, porque não pensei neles quando fiz isso. Por fim, nos familiares das vítimas. Eu me arrependo do que fiz, mas quem está sentindo isso sou eu e minha família. Quer dizer, penso primeiro em mim porque quem está preso aqui, sofrendo, sou eu.”

Em outro momento declarou:

“Se eu tivesse esperado, teria me formado. E com curso superior, ficaria numa cela especial e não misturado com os outros.”

Desinternação e descumprimento de condição

Em 2024, a Justiça da Bahia autorizou a desinternação de Mateus da Costa Meira, impondo como condição que ele morasse com os pais e mantivesse tratamento psiquiátrico.

Entretanto, segundo a reportagem, ele vive sozinho em Salvador. Também há relatos apresentados à Justiça de agressões contra familiares.

“O Mateus só agride quem ele gosta. O próprio preso que levou a tesourada disse isso ao juiz. Os dois eram amigos”, afirmou o advogado Vivaldo Adaes.

O defensor também declarou receio após a soltura do condenado. “Eu tenho medo de que ele apareça armado aqui no meu escritório. Aliás, todo mundo tem esse medo. Até porque ele já havia feito uma lista de pessoas marcadas para morrer.”

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