quarta-feira, 15 julho, 2026

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Empresário e ‘legendário’ é preso por agredir esposa; mulher teve que fazer cirurgia bucomaxilofacial

Da Redação

Uma agressão dentro de um estabelecimento comercial resultou em prisão em flagrante na madrugada de domingo (12). Luan Ferrari, empresário e engenheiro eletricista, de 37 anos, foi preso acusado de bater na esposa de 27 anos dentro do bar Escritório da Gadhega, de sua propriedade, na Rua Góes Calmon, bairro da Saúde, em Salvador. A Justiça converteu a prisão em preventiva após audiência de custódia. A esposa de Ferrari, que não teve o nome divulgado, teve de ser encaminhada para cirurgia bucomaxilofacial devido às lesões que sofreu.

O empresário tem uma foto usando uma roupa dos “Legendários”, grupo com temática cristã focado em homens. Esse grupo se define como um “movimento que busca a transformação de homens e famílias”. Criado em 2015, chegou ao Brasil dois anos depois e ganhou notoriedade ao atrair famosos. O movimento é criticao  críticas pela forma como prega a masculinidade e a hierarquia entre  homens e mulheres.

O que aconteceu

Segundo o site BNews, equipes da 2ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar) foram acionadas para atender a uma ocorrência de briga de casal. No local, os agentes constataram que a mulher já havia sido encaminhada para a unidade de saúde. O suspeito foi levado para a DEAM/CMB (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher Casa da Mulher Brasileira), onde foi autuado em flagrante por agressão física contra a companheira.

Guias para perícia foram expedidas e oitivas seguem em andamento para esclarecer o caso. O relato inicial aponta que o desentendimento foi motivado por ciúmes.

Agressão e lesões

De acordo com o site, segundo a decisão judicial, durante a discussão, o empresário desferiu diversos socos no rosto da mulher, causando fratura no nariz com necessidade de cirurgia bucomaxilofacial. Fotografias e laudos médicos anexados ao processo apontam sangramento, lesões faciais, edema e desvio do osso nasal.

Um vídeo obtido por uma emissora de televisão mostra a vítima momentos antes da agressão, dentro do estabelecimento. Na gravação, ela diz: “Eu tô louca para tomar murro de macho. Louca para tomar murro de um macho desse, de graça”.

Decisão judicial

Após audiência de custódia, o juiz Horácio Moraes Pinheiro, da 3ª Vara de Garantias de Salvador, homologou a prisão em flagrante e determinou a conversão em preventiva. O magistrado afirmou que “Examinando-se os presentes autos, verifica-se a existência de indícios suficientes acerca da autoria e prova da materialidade do delito, assim como o perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado, estando presentes, portanto, os pressupostos autorizadores do decreto preventivo”.

O juiz destacou que o caso envolve crime doloso com violência doméstica e familiar contra a mulher, conforme o artigo 313 do Código de Processo Penal.

Histórico de violência

Na decisão, o magistrado mencionou que a vítima relatou episódios anteriores de ciúmes, violência verbal e agressões físicas ao longo do relacionamento, iniciado em abril de 2024. Segundo o relato, já houve pedido de medida protetiva anteriormente, antes de uma reconciliação do casal.

“O contexto fático narrado nos autos revela um cenário de violência doméstica de acentuada gravidade”, pontuou o juiz. A trajetória de abusos reforça a necessidade de afastamento do investigado e proteção imediata à vítima.

Em seu perfil nas redes sociais, Luan Ferrari se apresenta como engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal da Bahia e como empreendedor investidor. Em uma das publicações, ele aparece usando vestimenta ligada ao grupo cristão Legendários, voltado ao público masculino. O movimento, criado em 2015 e que chegou ao Brasil em 2017, se define como uma iniciativa de transformação de homens e famílias.

Medidas cautelares impostas

A Justiça determinou medidas cautelares ao investigado, incluindo:

  • Proibição de se aproximar da vítima, familiares e testemunhas, com distância mínima de 500 metros
  • Proibição de qualquer tipo de contato, inclusive por telefone, redes sociais ou terceiros
  • Proibição de frequentar locais habitualmente frequentados pela vítima
  • Uso de tornozeleira eletrônica, caso seja colocado em liberdade

O caso é investigado como lesão corporal em contexto de violência doméstica, com base no artigo 129, § 9º, do Código Penal, no âmbito da Lei Maria da Penha.

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