Da Redação
Seis policiais foram denunciados nesta quinta-feira, 16 de julho, pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) por homicídios qualificados ocorridos em maio. A acusação envolve quatro policiais militares e dois civis que integravam equipes operacionais durante a “Operação Travessia”, realizada em 10 de maio de 2025, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro.
Os denunciados atuavam conjuntamente: membros do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Segundo investigações, chegaram ao local “fortemente armados, utilizando vestimentas táticas e atuando de forma coordenada”.
As acusações incluem homicídios qualificados por “motivo torpe, meio que resultou perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e emprego de arma de fogo de uso restrito”. O MPBA também solicitou à Justiça o afastamento cautelar dos denunciados durante a tramitação da ação penal.
Circunstâncias das mortes
Uma das vítimas foi “atingida por diversos disparos de arma de fogo em local público, sem possibilidade de reação ou defesa”, conforme o Procedimento Investigatório Criminal (PIC). A segunda foi abordada durante a operação, submetida a revista e posteriormente alvejada. Laudo pericial identificou lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos disparos.
Para o Ministério Público, “as provas colhidas indicam que as mortes ocorreram fora de uma situação concreta de confronto, em contexto no qual as vítimas se encontravam em condição de vulnerabilidade diante da atuação dos agentes”.
Fraude processual
Os dois policiais civis também foram denunciados pelo crime de fraude processual (artigo 347 do Código Penal). Investigações apontam que teriam praticado “atos destinados a alterar artificialmente o estado de coisas após os fatos”. O MPBA registra que eventual fraude processual por policiais militares será apurada pela Vara de Auditoria Militar.
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