Da Redação
O candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), negou, nesta segunda-feira (3), que seu plano de governo tenha sido elaborado com o uso de inteligência artificial (IA). A declaração foi dada após a divulgação de uma perícia que apontou indícios de utilização da tecnologia na produção do documento apresentado pela campanha, ao site Bahia.ba.
Em entrevista, o ex-prefeito de Salvador classificou as conclusões do laudo como “equivocadas” e afirmou que todas as propostas foram construídas pela equipe de campanha a partir de discussões internas e das contribuições reunidas no projeto “Sua Voz é a Nossa Voz”.
Segundo ACM Neto, a inteligência artificial foi utilizada apenas para procedimentos técnicos de revisão do texto.
“Todas as propostas, ideias e projetos, todos foram elaborados por nós, inclusive, com a participação direta minha. Perdi a conta de quantas vezes me reuni com a equipe para discutir cada item, muitas vezes escrevendo eu, pessoalmente, a redação de uma série de propostas”, declarou.
O candidato também rejeitou a validade da perícia divulgada pela imprensa.
“Completamente inconclusiva e completamente equivocada.”
E acrescentou:
“Essa perícia isso aí não existe. É uma coisa completamente falha e que não tem qualquer respaldo.”
Ainda conforme ACM Neto, a única utilização de inteligência artificial ocorreu na correção ortográfica e na conferência de dados públicos e oficiais, incluindo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Perícia aponta indícios de uso de IA
A controvérsia teve início após a divulgação de uma perícia elaborada pela especialista em propriedade intelectual Caroline Nunes. O estudo, publicado pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, apontou que o plano de governo apresenta 56,7% de probabilidade de origem sintética.
De acordo com o parecer, esse percentual indica que o documento pode ter sido parcialmente redigido ou reescrito com auxílio de ferramentas de inteligência artificial.
A análise examinou integralmente o plano de governo e identificou o que foi classificado como uma “dispersão incompatível com autoria única e homogênea”. Segundo o estudo, os trechos avaliados apresentaram índices que variaram entre 0% e 91% de probabilidade de origem sintética, indicando uma possível combinação entre escrita humana e recursos de IA.

