quarta-feira, 12 agosto, 2026

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Brasil reduz fome, mas desigualdade de renda ainda continua

Da Redação

A desigualdade de renda aumentou no Brasil, apesar de avanços na redução do desemprego, da pobreza e da fome. É o que aponta o relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, elaborado em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Segundo o levantamento, 71% dos indicadores apresentaram melhora em 2025, enquanto 16% pioraram e 13% permaneceram estáveis. Os principais avanços foram registrados no mercado de trabalho, na renda média, na redução da pobreza e na segurança alimentar.

Na outra ponta, porém, a distância entre ricos e pobres aumentou. O rendimento médio do 1% mais rico da população, formado por cerca de 2,1 milhões de pessoas, foi 31,5 vezes superior ao dos 50% mais pobres, que correspondem a aproximadamente 106,4 milhões de brasileiros.

Renda média aumenta, mas ganhos são desiguais

O rendimento médio real dos brasileiros chegou a R$ 3.376 em 2025, uma alta de 5,3% em relação a 2024. O crescimento, no entanto, ocorreu de forma diferente entre os grupos da população.

Entre os homens, o rendimento médio cresceu 5,8%, acima da média nacional. Entre as mulheres, a alta foi de 4,8%, e o rendimento delas correspondeu a 72,2% do valor recebido pelos homens.

A desigualdade também aparece quando são considerados os recortes raciais. O rendimento médio das mulheres negras foi de R$ 2.184, enquanto o dos homens não negros chegou a R$ 5.172.

A diferença representa um rendimento 57,8% inferior para as mulheres negras. Segundo o relatório, o resultado evidencia a permanência das desigualdades históricas relacionadas à raça no país.

“Esse dado confirma, mais uma vez, que têm consolidado as desigualdades históricas entre as raças no país”, diz o relatório.

1% mais rico ganha 31,5 vezes mais que metade da população

Embora a relação entre os rendimentos do 1% mais rico e dos 50% mais pobres esteja abaixo do nível registrado em 2022, o indicador permanece relativamente estável.

Em relação a 2024, houve aumento de 1,3 ponto percentual, resultado que, segundo o relatório, evidencia que a distribuição da riqueza não sofreu uma mudança significativa.

A maior diferença foi registrada no Sudeste, onde a renda do 1% mais rico foi 30,3 vezes maior que a dos 50% mais pobres. A menor razão apareceu no Sul, com 21,8 vezes.

Na comparação com 2024, o maior aumento da desigualdade ocorreu no Centro-Oeste, onde a relação passou de 25 para 29,3 vezes. Nordeste e Sul, por outro lado, apresentaram redução da desigualdade no período.

Isenção do Imposto de Renda

O relatório também avalia a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5.000 como uma medida capaz de contribuir para um sistema tributário mais justo.

Segundo o estudo, a mudança amplia a capacidade redistributiva do Estado, embora ainda seja insuficiente para reverter a concentração de renda existente no país.

“Talvez essa tenha sido uma de suas maiores vitórias: o sistema tributário, frequentemente apresentado como uma engrenagem inacessível ao debate público”, destaca o estudo.

Insegurança alimentar diminui, mas desigualdade permanece

Os indicadores de segurança alimentar apresentaram melhora entre 2023 e 2024. A proporção da população vivendo em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% para 7,7% no período.

De acordo com o relatório, a redução está relacionada à retomada de políticas públicas voltadas ao combate à fome.

Apesar do avanço, o acesso à alimentação continua marcado por diferenças entre grupos sociais. Entre as mulheres negras, a proporção de insegurança alimentar moderada ou grave chegou a 10%, mais que o dobro dos 4,6% registrados entre mulheres não negras.

Entre os homens, o índice foi de 9,7% entre negros e 4,7% entre não negros.

“Esses indicadores demonstram que o racismo continua sendo um importante determinante da insegurança alimentar”, aponta o Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026.

Norte concentra os piores indicadores

As diferenças também aparecem entre as regiões brasileiras. O Norte apresentou o pior resultado, com 14,9% da população vivendo em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave.

O percentual é cerca de quatro vezes superior ao registrado no Sul, onde o índice ficou em 3,7%.

Para o relatório, os dados ajudam a compreender as diferentes condições econômicas, sociais, ambientais e culturais existentes em cada região do país.

Desnutrição infantil expõe desigualdade racial

Os indicadores de desnutrição infantil também revelam diferenças relacionadas à raça. Em 2025, a taxa caiu para 3,4%, mas permaneceu desigual entre os grupos.

O índice foi de 3,3% entre crianças não negras, 4% entre crianças negras e 7,3% entre indígenas.

Segundo o relatório, os números mostram que as desigualdades no acesso à alimentação não são explicadas apenas pela renda.

“[A desigualdade alimentar] resulta da combinação entre racismo estrutural, exclusão territorial, acesso desigual às políticas públicas, fragilidade dos sistemas locais de abastecimento e insuficiente reconhecimento dos modos próprios de produção de alimentos dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.”

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