Da Redação
Quase sete em cada dez quilombolas brasileiros vivem no Nordeste. São 906.337 pessoas distribuídas pelos nove estados da região, segundo dados do Censo Demográfico 2022. Bahia e Maranhão concentram, juntos, 666.670 quilombolas, o equivalente a metade da população quilombola do país.
Entre os municípios com maior número absoluto de quilombolas estão Senhor do Bonfim (BA), com 15.999 pessoas; Salvador (BA), com 15.897; e Alcântara (MA), com 15.616.
Em termos proporcionais, Alcântara apresenta a maior concentração de população quilombola da região. No município maranhense, 84,5% da população é quilombola.
As informações estão reunidas no novo painel de Demografia Quilombola do Data Nordeste, plataforma da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
A ferramenta busca ampliar a visibilidade sobre uma população historicamente pouco representada nas estatísticas e oferecer informações para o planejamento territorial e a formulação de políticas públicas.
Os dados permitem identificar a localização das comunidades quilombolas e dimensionar demandas relacionadas a serviços públicos e à garantia de direitos, principalmente em áreas rurais e mais isoladas.
Mais da metade da população quilombola nordestina, 567.098 pessoas, vive no semiárido.
Dados para políticas públicas
Segundo a coordenadora-geral de Desenvolvimento Econômico, Social, Cultural e Inovação, Ludmilla Calado, o painel pode contribuir para identificar padrões de distribuição territorial e compreender as características demográficas da população quilombola.
A ferramenta também pode subsidiar ações voltadas à promoção da igualdade racial, à garantia de direitos e ao desenvolvimento das comunidades quilombolas.
“A ferramenta amplia o acesso a informações que podem subsidiar análises e o planejamento regional”, afirma Ludmilla.
O Censo Demográfico 2022 foi o primeiro realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a identificar e contabilizar a população quilombola brasileira como grupo étnico.
“ A inclusão desse recorte permite conhecer, pela primeira vez em uma operação censitária nacional, características demográficas e territoriais dessa população em diferentes escalas”, destaca a professora Luciana Ferreira.

