terça-feira, 15 setembro, 2026

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Moraes classifica investigação de Mendonça como ilegal e nega favorecimento a Vorcaro

Da Redação

O ministro Alexandre de Moraes negou ter cometido qualquer irregularidade no caso Master e afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou o banqueiro Daniel Vorcaro. A manifestação foi enviada nesta segunda-feira (14) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, na véspera do julgamento que analisará o relatório produzido pela Polícia Federal.

Esta é a primeira manifestação pública de Moraes sobre as suspeitas levantadas contra ele em documentos produzidos no âmbito das investigações envolvendo Vorcaro. O ministro também afirmou que jamais julgou processos relacionados ao banqueiro ou à instituição financeira.

Moraes classificou as acusações como uma tentativa de responsabilizá-lo por anotações produzidas por terceiros e afirmou que a ofensiva tem motivação “político-eleitoral”.

O plenário do STF deve analisar nesta terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e discutir se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação envolvendo Moraes.

A sessão foi convocada por Fachin e ocorre em meio a discussões sobre a validade do relatório, o alcance da análise dos ministros e a participação de integrantes diretamente citados no caso.

Na manifestação, Moraes sustenta que a investigação determinada pelo ministro André Mendonça é ilegal porque teria sido instaurada sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), sem provocação da Polícia Federal e sem autorização prévia do plenário do STF.

“Na presente hipótese, de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte”, diz a manifestação.

Segundo Moraes, o relatório produzido no caso “não apontou a existência de nenhum indício de infração penal” de sua parte e se baseia em anotações encontradas em blocos de notas do celular de Vorcaro.

O ministro afirma que nunca teve conhecimento prévio da Operação Compliance, jamais entrou em contato com autoridades responsáveis pela investigação nem vazou informações do procedimento.

Moraes também diz que nunca praticou qualquer ato para favorecer o Banco Master ou Vorcaro e destaca que não participou de processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.

Moraes contesta hipótese de vazamento

Um dos principais argumentos apresentados pelo ministro é de que a hipótese de vazamento de informações não se sustenta diante do resultado da própria operação.

Moraes afirma que Vorcaro foi preso quando se preparava para embarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, portando passaporte verdadeiro e seu telefone celular.

Segundo o ministro, a prisão e a apreensão do aparelho demonstrariam que o investigado não tinha conhecimento prévio da existência de um mandado judicial contra si.

“Não é lógico, razoável e plausível” concluir que houve favorecimento ou vazamento de informações, afirma Moraes no documento.

O ministro sustenta ainda que a Operação Compliance foi totalmente exitosa e que a apreensão do celular de Vorcaro permitiu justamente o avanço das investigações.

Ministro questiona supostas mensagens

Outro ponto central da manifestação é a contestação das supostas mensagens atribuídas ao caso.

Moraes afirma que o relatório não apresenta “nenhuma mensagem” de sua autoria que indique consultoria jurídica, favorecimento ao Banco Master ou conhecimento prévio de operações policiais.

“Não há nenhuma, absolutamente nenhuma mensagem de autoria do ministro Alexandre de Moraes que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial.”

Segundo o ministro, a investigação tenta atribuir a ele a responsabilidade por textos encontrados em blocos de notas do celular de Vorcaro sem demonstrar que essas anotações tenham efetivamente sido enviadas por mensagem a Moraes.

A manifestação também critica a metodologia utilizada no relatório da Polícia Federal. Moraes afirma que as provas não foram preservadas da forma adequada e que o documento foi construído a partir de interpretações, e não de uma perícia técnica.

Segundo ele, as conclusões foram elaboradas com base em recortes de mensagens e interpretações sem comprovação técnica.

Moraes fala em motivação político-eleitoral

Ao tratar da motivação do caso, Moraes afirma que as acusações são utilizadas para atacá-lo politicamente.

O ministro diz que a investigação foi conduzida com finalidade “político-eleitoral” e classifica as suspeitas como uma tentativa de “vingança”. As afirmações são apresentadas na manifestação como alegações feitas pelo próprio magistrado.

Mendonça defende medidas adotadas

Em documento também encaminhado à Presidência do STF nesta segunda-feira (14), o ministro André Mendonça defendeu as medidas adotadas durante a condução da investigação, entre elas uma reunião presencial com delegados responsáveis pelo caso.

Segundo Mendonça, a providência foi necessária diante de referências ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gustavo Gonet Branco, em anotações atribuídas a Daniel Bueno Vorcaro encontradas no material analisado pela Polícia Federal.

Na manifestação, Mendonça afirma que a “intimação direta e presencial dos delegados indicados” ocorreu por cautela e para preservar o andamento das investigações.

O ministro destaca que os nomes do diretor-geral da PF e do procurador-geral da República teriam sido mencionados em nota enviada por Vorcaro a um interlocutor não identificado. A Polícia Federal sustenta que esse interlocutor seria Alexandre de Moraes.

Segundo Mendonça, a medida teve como objetivo garantir a integridade do procedimento e evitar qualquer risco ao sigilo da investigação.

O ministro afirma ainda que a providência não representou atribuição de suspeitas a nenhuma autoridade e foi adotada para assegurar que as informações permanecessem restritas aos investigadores diretamente envolvidos no caso.

Em outro trecho da manifestação, Mendonça sustenta que a necessidade de cautela já havia sido registrada expressamente na própria decisão que determinou a intimação dos delegados.

“Não por outro motivo, realça-se que em sua parte final, o referido Despacho consignou expressamente a necessidade de observância a tais parâmetros, bem como a forma pela qual seria realizada a sua intimação — precisamente diante das cautelas necessárias na espécie.”

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