Da Redação
O vereador Hamilton Assis (PSOL) cobrou uma investigação rigorosa sobre a morte de nove homens durante uma ação da Polícia Militar, na terça-feira (15), no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador.
Segundo a versão divulgada pela PM, as vítimas seriam integrantes de uma facção criminosa e teriam entrado em confronto com policiais durante uma ação do Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (BPATAMO).
Para Hamilton, o número de mortes registrado em uma única operação exige esclarecimentos sobre a dinâmica da ocorrência, a atuação dos agentes e as circunstâncias em que cada vítima foi atingida.
“Não podemos naturalizar nove pessoas mortas em uma única ação policial. É preciso investigar. A população precisa saber o que aconteceu, quem atirou, em que circunstâncias essas pessoas foram atingidas e se todos os protocolos de segurança foram cumpridos. A investigação precisa ser independente, transparente e capaz de esclarecer os fatos”, afirmou.
Vereador cita dados sobre letalidade policial
Hamilton também chamou atenção para os dados de letalidade policial na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado citado no relatório, em julho de 2026 foram registradas seis chacinas em Salvador e na RMS, todas durante ações ou operações policiais.
De janeiro a julho, ainda conforme o levantamento mencionado pelo vereador, 19 das 20 chacinas registradas ocorreram nesse contexto.
“Esses números precisam provocar uma discussão séria sobre o modelo de segurança pública que estamos praticando. Segurança não pode ser medida pelo número de pessoas mortas. Precisamos de uma polícia que utilize inteligência, investigação, tecnologia e planejamento para desarticular organizações criminosas, e não de uma política que coloque o confronto e a letalidade no centro da atuação”, frisou.
O vereador também questionou a concentração das operações letais em determinadas regiões da cidade.
“Vale lembrar que essas operações letais não acontecem na Graça ou Corredor da Vitória, embora nesses bairros também aconteçam operações de combate ao tráfico de drogas e crime organizado. Então, estamos falando de mortes por cor da pele e CEP, por isso, não podemos naturalizar essas operações”, destacou Hamilton.
Câmeras corporais
Hamilton Assis defendeu ainda a ampliação e o uso efetivo de câmeras corporais pelos agentes de segurança pública.
Para o vereador, a tecnologia deve funcionar como instrumento de proteção tanto da população quanto dos policiais, além de garantir registros das ocorrências e contribuir para a responsabilização em eventuais casos de abuso.
“Acreditamos que a câmera corporal não é inimiga do policial. É uma ferramenta de proteção para o agente e para a sociedade. Em uma ocorrência que termina com nove mortos, ter imagens, registros e informações confiáveis é fundamental para que a sociedade saiba exatamente o que aconteceu”, afirmou.
O parlamentar também defendeu o fortalecimento das políticas de inteligência e investigação criminal como alternativa à lógica de operações baseadas prioritariamente no confronto.
“Precisamos enfrentar o crime organizado, mas isso exige inteligência para identificar lideranças, fluxos financeiros, armas, rotas e estruturas criminosas. A população das periferias, majoritariamente negra, não pode continuar sendo colocada no centro de uma política de segurança marcada pela violência e pela morte. Queremos segurança pública com inteligência, prevenção, investigação, controle e respeito à vida”, concluiu.

