Da Redação
A requalificação da sede do Ilê Aiyê, a Senzala do Barro Preto, no Curuzu, chegou a 80% de execução. A vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos, vistoriou os serviços na última sexta-feira (18).
Com investimento de R$ 7 milhões, a intervenção contempla os oito pavimentos do imóvel, que possui 5,4 mil metros quadrados de área construída. Os serviços são realizados pela Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), por meio da Superintendência de Obras Públicas do Salvador (Sucop).
A vistoria teve como objetivo acompanhar o andamento dos trabalhos e definir os próximos passos para a conclusão da obra.
Também participaram da visita o presidente e fundador do Ilê Aiyê, Vovô do Ilê; a secretária municipal da Reparação (Semur), Isaura Genoveva; a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield; e o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro.
Também estiveram presentes o diretor de Cidadania Cultural da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), Chicco Assis, além de técnicos e representantes das instituições envolvidas.


Acessibilidade e infraestrutura
O projeto foi elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira e prevê melhorias estruturais e de infraestrutura para adequar o prédio às necessidades atuais do Ilê Aiyê.
Entre as intervenções estão a climatização dos ambientes, tratamento acústico, implantação de rampas de acesso e adequações para pessoas com deficiência.
Durante a vistoria, Ana Paula Matos ressaltou a importância de preservar a história da instituição e, ao mesmo tempo, garantir melhores condições para a continuidade das atividades culturais, sociais e educativas desenvolvidas no local.
“Cuidar da Senzala do Barro Preto é cuidar de uma parte fundamental da história de Salvador. O Ilê Aiyê é patrimônio da nossa cidade, símbolo de resistência, afirmação da identidade negra e transformação social”, disse.
“Este espaço não é apenas a sede do primeiro bloco afro do Brasil, é uma casa de cultura, educação, memória e formação de novas gerações. Isso reforça o nosso compromisso de entregar ao Ilê, ao Curuzu e a Salvador um equipamento mais seguro, acessível, moderno e preparado para fortalecer esse legado por muitos anos”, afirmou Ana Paula.
Salas, auditório e galeria passam por melhorias
Entre os espaços que já receberam intervenções estão salas de aula, biblioteca, sala de dança, sala de informática, salas administrativas, áreas de costura, auditório, galeria, cozinhas e vestiários.
Os serviços incluem substituição de pisos e revestimentos, pintura e instalação de aparelhos de ar-condicionado.
No auditório e na galeria foram realizadas intervenções específicas, como instalação de piso epóxi, climatização, colocação de bancadas e serviços de acabamento.
A cobertura também passou por mudanças. O local recebeu um sistema de energia solar e teve as telhas substituídas integralmente.
Atualmente, as equipes trabalham na instalação de bancadas e portas no auditório e na cozinha/cantina, além da substituição das pastilhas da fachada.
Também estão em andamento intervenções na rampa e na passarela metálica, além de ajustes nos acabamentos e na pintura de toda a edificação.
A obra inclui ainda a recuperação do sistema elétrico e a instalação de equipamentos para combate a incêndio.
Escola Mãe Hilda também será beneficiada
A requalificação também contempla os espaços utilizados pela Escola Mãe Hilda, que funciona na sede do Ilê Aiyê.
A unidade desenvolve atividades de educação, formação cultural e valorização da identidade negra voltadas para crianças e jovens da comunidade.
Com a conclusão dos serviços, a Senzala do Barro Preto deverá contar com uma estrutura renovada para receber as atividades culturais, educacionais e administrativas da instituição.
A proposta é combinar a preservação da importância histórica do espaço com melhorias em acessibilidade, segurança, infraestrutura e conforto para alunos, trabalhadores, visitantes e demais usuários.
Legado do Ilê Aiyê
Fundado em 1974, o Ilê Aiyê se consolidou como uma das principais referências da cultura afro-brasileira.
Além da participação no Carnaval de Salvador, a instituição mantém ações nas áreas de educação, cultura e cidadania, além de iniciativas de enfrentamento ao racismo e valorização da identidade negra.
A Senzala do Barro Preto, localizada no Curuzu, é utilizada para as atividades desenvolvidas pela instituição e funciona como espaço de formação e preservação da memória do bloco afro.

