quinta-feira, 24 setembro, 2026

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Conheça os 12 presos de grupo acusado de movimentar quase R$ 10 mi em tráfico de drogas

Da Redação

A Operação Iceberg cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e registrou duas prisões em flagrante contra suspeitos de integrar uma estrutura de tráfico de drogas com atuação na Bahia e em Sergipe. Segundo a investigação, o grupo utilizava redes sociais para negociar entorpecentes, recebia pagamentos principalmente por PIX e realizava entregas discretas.

Entre os consumidores identificados na apuração estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo. A investigação também aponta o uso de empresas de fachada, contas de terceiros e nomes de familiares para movimentar e ocultar recursos.

O principal alvo, Erik Castro Gusmão Seixas, foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ele é apontado como responsável pela comercialização profissionalizada de diferentes variedades de maconha por meio do Instagram.

Fotos: Ascom/PC-BA

 

A investigação financeira identificou mais de R$ 9,6 milhões em movimentações atribuídas a Erik ao longo de cinco anos. Os valores foram distribuídos em mais de 16,6 mil transações bancárias, com uso de empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas, segundo a apuração.

A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados.

Quem são os investigados

Erik também é apontado como responsável por utilizar uma empresa individual de fachada, contas de terceiros e o nome da avó para registrar veículos de alto padrão. A investigação ainda indica que ele teria negociado uma arma de fogo.

Luan Costa da Silva é apontado como distribuidor de drogas em grande escala no interior da Bahia, com atuação em Santo Antônio de Jesus. Segundo a investigação, ele teria negociado uma pistola Glock com Erik e administrado a logística de remessas de grandes quantidades de drogas, utilizando contas e linhas telefônicas de terceiros.

Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes é apontado como distribuidor regional em Vitória da Conquista e cidades próximas. Segundo a apuração, ele fornecia orientações a Erik para esconder cargas, inclusive com o acondicionamento de drogas a vácuo dentro de potes de creme, numa tentativa de dificultar a identificação do odor durante o transporte.

Laisa Franca Lacerda é investigada por disponibilizar a própria residência para armazenamento e retirada de drogas por compradores. A apuração também aponta que ela teria participado da movimentação financeira do grupo, com mais de R$ 180 mil passando por contas pessoais e por uma empresa de fachada.

Matheus Ribeiro Mello do Nascimento é apontado como alguém que teria passado de comprador a revendedor. Segundo a investigação, ele intermediava compras para terceiros e buscava fontes de abastecimento no Paraguai. O tráfico teria ocorrido na própria residência, com utilização do veículo do pai e de contas de terceiros para dissimular pagamentos.

Marcelo Botelho Reis foi preso em flagrante com uma arma de fogo. A investigação aponta indícios de aquisição de drogas para revenda e registra mais de R$ 46 mil em movimentações com Erik. Segundo o material investigativo, ele possui histórico criminal, incluindo prisões anteriores relacionadas à tentativa de aquisição de “heroína caipira”.

 

Tyago de Assis Conceição foi preso no sistema prisional de Sergipe e é apontado como fornecedor de drogas. De acordo com a investigação financeira, ele apresentava um padrão considerado invertido nas transações, recebendo de Erik valores superiores aos que pagava.

O CPF de Tyago está vinculado à empresa Xalove Mouse, considerada inapta desde 2022. O investigado também é alvo de outra investigação de combate ao tráfico, a Operação Zimmer.

Guilherme Rodrigues de Oliveira, sócio único da empresa Metalnor, também identificada como “Gold Auto Peças”, apresentou, segundo a investigação, o maior volume individual de movimentação financeira, de R$ 281.715,40.

Diligências apontaram que a empresa seria de fachada e não manteria atividade real desde 2023, sendo utilizada para integração e dispersão de recursos investigados como ilícitos. Até o momento, porém, não foi identificado vínculo direto de Guilherme com a comercialização de entorpecentes.

Luccius Magno Fernandes Neiva Gomes foi preso na zona rural de Jaguaripe. Segundo a investigação, ele é suspeito de atuar na lavagem de capitais por meio de uma empresa de fachada identificada como “Grupo Thor”.

Theo Macedo e Dantas é apontado como um dos principais fornecedores de entorpecentes do esquema. Segundo a apuração financeira, ele foi o maior remetente de valores entre os investigados, com R$ 621.489,73 movimentados.

Camila Ingrid Dourado Bezerra, apontada como namorada de Luccius Magno Fernandes Neiva Gomes, foi presa em flagrante após uma grande quantidade de drogas ser encontrada em sua residência.

Robson Siqueira Reis teve um mandado de prisão cumprido. O material da investigação fornecido para a reportagem não apresenta, até o momento, detalhes sobre a função atribuída a ele dentro do grupo.

Drogas eram escondidas em potes de creme

Em Vitória da Conquista, um dos suspeitos apontados como liderança regional receberia drogas em Salvador e faria a distribuição no município e em cidades próximas.

De acordo com a investigação, parte dos entorpecentes era colocada dentro de potes de cremes estéticos e enviada em ônibus comerciais, camuflada como cosmético.

Entre as drogas distribuídas estava a modalidade conhecida como ICE, recebida em Salvador e redistribuída pelo sudoeste baiano.

Em Santo Antônio de Jesus, outro investigado, já conhecido por envolvimento com o comércio de drogas na região, buscaria os entorpecentes na capital para abastecer o município e cidades vizinhas.

Entorpecentes eram anunciados nas redes sociais

A investigação identificou que o grupo utilizava redes sociais para negociar as drogas. Os pagamentos eram feitos principalmente por PIX, enquanto as entregas eram realizadas de forma discreta.

Os entorpecentes eram divulgados com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA.

Segundo a apuração, os suspeitos mantinham padrão de vida elevado, com imóveis de alto padrão e veículos de luxo. Empresas e contas de familiares ou terceiros também teriam sido utilizadas para ocultar recursos.

Carros de luxo foram apreendidos

Durante a operação, foram apreendidas porções de entorpecentes de alto valor comercial, celulares e documentos. O material deverá ser analisado para identificar possíveis novos envolvidos, fornecedores e detalhes da movimentação financeira.

Uma pistola foi encontrada com um médico investigado, preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Ele integra o grupo de duas pessoas presas em flagrante durante a operação.

As medidas patrimoniais alcançaram oito veículos e uma motocicleta, entre eles Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass, Chevrolet Tracker e Honda NXR 160 Bros.

Segundo a tabela FIPE, o conjunto dos veículos está avaliado em mais de R$ 1,1 milhão.

Investigação começou em outra operação

A Operação Iceberg teve origem em informações obtidas durante a Operação Gênesis, conduzida pelo DHPP. A análise de um perfil em rede social revelou indícios de comercialização de drogas e levou à identificação de uma estrutura formada por fornecedores, distribuidores e responsáveis pela movimentação financeira.

A ação é coordenada pelo DHPP, com participação do Departamento de Inteligência Policial (DIP), por meio do Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), Departamento de Repressão e Entorpecentes (DENARC), Departamento de Polícia do Interior (DEPIN), Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE) e Departamento de Polícia Técnica (DPT).

As informações sobre a participação dos investigados, a origem dos recursos e a utilização das empresas são atribuídas à investigação policial. A situação jurídica de cada suspeito deverá ser definida no decorrer do processo.

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