sexta-feira, 25 setembro, 2026

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Grupo de Jaques Wagner recebia propina de R$ 3 milhões de Vorcaro, informa reportagem

Da Redação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou que o grupo político do senador Jaques Wagner (PT) na Bahia receberia R$ 3 milhões mensais em suposta propina. A acusação consta de uma proposta de colaboração premiada que foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por falta de elementos de corroboração suficientes. A informação é da reportagem de Natália Portinari, do site UOL.

Segundo o documento, cerca de R$ 2 milhões seriam repassados mensalmente por meio de um contrato entre o Banco Master e a PKL One, empresa que explorava o Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores da Bahia. Outros R$ 1 milhão seriam pagos em espécie.


Reportagem do UOL mostra contrato com a PKL One que previa pagamento de R$ 2 milhões por mês
Foto: Reprodução

Vorcaro afirmou, porém, que não teria presenciado o suposto acerto. Segundo ele, as informações teriam sido repassadas pelo ex-sócio Augusto Lima, que nega a acusação.

A proposta também menciona outras formas de suposto repasse, como distribuição de lucros e dividendos da PKL One e contratos que Vorcaro classificou como fictícios.

Acusações envolvem Credcesta e privatização da Ebal

De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, Wagner teria participação oculta na operação do Credcesta por meio da PKL One. A empresa passou a deter os direitos de exploração do cartão após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).

A Ebal foi arrematada pela NGV Empreendimentos por R$ 15 milhões em leilão realizado em 2018, quando Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante o governo de Rui Costa (PT).

Segundo a proposta de delação, Augusto Lima teria se unido a políticos baianos para direcionar o processo de privatização da Ebal e beneficiar a operação do Credcesta.

Dezesseis dias após o leilão, dois decretos assinados pelo então governador Rui Costa ampliaram as possibilidades de exploração do Credcesta e alteraram seu enquadramento no sistema de consignações.

A NGV posteriormente transferiu os direitos de exploração do cartão para a PKL One Participações.

Documentos mencionados na proposta confirmam a participação de Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, na estrutura societária relacionada à PKL. Segundo o relato de Vorcaro, porém, os documentos não comprovariam que Sodré atuasse em nome de Wagner.

O que os documentos mostram

O contrato entre a PKL One e o Banco Master confirma a previsão de pagamentos mensais de aproximadamente R$ 2 milhões a título de despesas operacionais. O documento, contudo, não identifica Wagner ou outro político como beneficiário nem demonstra, por si só, que os valores tenham sido destinados ao pagamento de propina.

Documentos sobre a estrutura de fundos da PKL também confirmam que Guilherme Sodré teve participação no fundo Gardênia, que possuía participação indireta na empresa. Os registros, entretanto, não demonstram que ele representasse Wagner nessa participação.

A proposta ainda menciona documentos relacionados às empresas The Pay e Blue Pay, que, segundo o relato de Vorcaro, teriam sido utilizadas em operações destinadas a produzir dinheiro em espécie.

O material citado, porém, não demonstra que o dinheiro tenha sido entregue a Jaques Wagner.

Outras suspeitas investigadas pela PF

Separadamente das acusações apresentadas na proposta de delação, Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão em junho, no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

Segundo o material, a PF apura se o senador teria atuado em favor de interesses do banco e recebido vantagens em troca, incluindo viagens em aeronaves ligadas ao Master, ingressos para shows e um apartamento em Salvador.

Uma empresa de sua nora também teria firmado contrato de R$ 12 milhões com o Banco Master.

Essas suspeitas fazem parte de outra frente das investigações e, segundo a reportagem do UOL, não comprovam os pagamentos mensais descritos por Vorcaro na proposta de colaboração.

O que a delação não esclarece

O documento não esclarece qual teria sido o ato concreto praticado por Wagner como contrapartida pelos supostos pagamentos. Também não detalha de que forma o senador teria interferido no leilão da Ebal ou em decisões do governo estadual.

Vorcaro também não teria presenciado o suposto acordo político. O ex-banqueiro afirma ter tomado conhecimento do esquema por meio de Augusto Lima, que nega ter feito as declarações atribuídas a ele.

O caminho do dinheiro em espécie também não está completamente esclarecido. Segundo o relato, os valores seriam entregues ao motorista de Vorcaro, que os repassaria ao ex-banqueiro ou a Augusto Lima.

A proposta não apresenta, ainda, um cálculo consolidado de quanto teria sido pago ao longo do período, nem relaciona todas as parcelas, datas e respectivos destinatários.

No caso de uma suposta participação de uma filha de Wagner em contrato com empresa offshore ligada a João Carlos Falbo Mansur, o documento não informa nome, valor, data ou objeto do contrato no trecho analisado.

Outro lado

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou repudiar a divulgação dos supostos anexos da colaboração premiada e disse não reconhecer a origem, autenticidade e integridade do material.

A defesa de Jaques Wagner classificou as declarações como falsas e oportunistas e afirmou que elas teriam sido criadas para interferir nas eleições. Também negou que o senador tenha conhecimento sobre contratos fictícios da PKL One ou qualquer relação com a empresa.

A defesa ainda afirmou que Wagner nunca teve vínculo com Daniel Vorcaro, não teria atuado em favor das pautas do Banco Master no Congresso e teria votado contra os interesses da instituição.

Já a defesa de Augusto Lima classificou as informações como falsas e afirmou que não houve qualquer ato funcional praticado por Wagner ou pelo ex-ministro Rui Costa em benefício de Lima ou do Banco Master.

A defesa também sustentou que o contrato entre a PKL e o Banco Master correspondeu a serviços efetivamente prestados e negou qualquer ilicitude.

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