terça-feira, 29 setembro, 2026

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Gestora de instituição para idosos é condenada a 9 anos de prisão por maus-tratos

Da Redação

A gestora de uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI) foi condenada nesta terça-feira (29) a nove anos e quatro meses de reclusão por maus-tratos que resultaram na morte de uma idosa de 91 anos, em Salvador. A decisão foi tomada pela Justiça a pedido do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).

Vilmara da Cruz Conceição Souza também foi condenada ao pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais aos herdeiros da vítima, Edna Catarina da Hora.

Segundo a sentença, o conjunto de provas reunido no processo comprovou a prática reiterada de maus-tratos. Entre os elementos considerados estão relatórios técnicos da Vigilância Sanitária, pareceres psicológicos da Deati, registros fotográficos e depoimentos de profissionais da área médica, assistentes sociais e policiais.

Instituição funcionava de forma irregular

Conforme a denúncia, Vilmara era responsável pela “Casa de Repouso Samayra”, localizada no bairro de Cassange, em Salvador. O estabelecimento já havia sido interditado cautelarmente pela Vigilância Sanitária e era acompanhado pelo MPBA devido a condições estruturais inadequadas e insalubridade.

Mesmo após a interdição, a instituição continuou funcionando de forma clandestina e acolhendo mais de 20 idosos sem os alvarás necessários. O fechamento foi determinado a pedido do MP, por meio da promotora de Justiça Ana Rita Nascimento, em 15 de abril de 2025.

Idosa apresentava ferimentos e hematomas

Ainda de acordo com a denúncia, entre 2023 e outubro de 2025, Edna foi submetida a condições degradantes, privação de alimentos e ausência de cuidados essenciais.

Em 2 de outubro de 2025, diante do agravamento do estado de saúde da idosa, que apresentava um ferimento profundo no rosto e diversos hematomas, a gestora a levou ao Hospital Professor Eládio Lassére, em Cajazeiras II.

Na unidade, Vilmara teria contratado informalmente uma estudante de curso técnico em enfermagem para acompanhar a idosa temporariamente e deixado o hospital, levando consigo os demais documentos da paciente.

A estudante que assumiu o acompanhamento identificou diversas marcas de agressão e sinais de intenso sofrimento. O serviço social do hospital foi acionado e comunicou o caso à Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati) e à equipe médica.

Durante a apuração, o médico responsável pelo primeiro atendimento relatou que as lesões encontradas no corpo e no rosto da vítima apresentavam diferentes cronologias e padrões incompatíveis com a hipótese de uma única queda da cama, versão apresentada pela defesa.

Edna permaneceu internada em razão de um quadro de grave debilidade física e pneumonia. Ela morreu cinco dias depois, em 7 de outubro de 2025.

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