quinta-feira, 1 outubro, 2026

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ACM Neto liderou operação com transporte de dinheiro vivo em jatinho, aponta relatório da PF

Da Redação

O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) é citado em um relatório da Polícia Federal (PF) como suposta liderança de uma organização investigada por fraudes em contratos públicos em Belo Horizonte. A informação, divulgada no site ICL Noticias desta quinta-feira (1º),  esclarece que o documento integra as investigações da Operação Overclean e aponta possíveis irregularidades envolvendo contratos que, segundo a apuração divulgada pela imprensa, movimentariam cerca de R$ 1,4 bilhão.

De acordo com o relatório da PF, ao qual o Núcleo Investigativo do ICL Notícias afirma ter tido acesso, ACM Neto “exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”. A afirmação é uma conclusão da investigação policial e não representa, por si só, condenação ou decisão judicial que reconheça responsabilidade criminal do candidato.

A investigação envolve o empresário baiano José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, apontado como um dos principais personagens do grupo investigado. Segundo a PF, a apuração envolve suspeitas de direcionamento de licitações, contratos superfaturados, corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

Em setembro, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido da PF para realizar busca e apreensão contra ACM Neto. A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado favoravelmente à medida.

 

Relação com a Prefeitura de Belo Horizonte

Segundo o relatório citado na reportagem, Marcos Moura teria atuado como intermediário em negociações envolvendo a Prefeitura de Belo Horizonte durante a gestão do então prefeito Fuad Noman (PSD), morto em março de 2025.

Em uma conversa por WhatsApp identificada pela PF, Noman teria tratado com Moura sobre indicações para o secretariado municipal. Na mensagem, o ex-prefeito enviou uma fotografia de um papel manuscrito com referências às secretarias de Combate à Fome e de Mobilidade Urbana e escreveu duas vezes: “escolhe”.

Moura teria respondido: “vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”. Antonio Rueda é presidente nacional do União Brasil.

Segundo a investigação, após a conversa houve uma ligação de aproximadamente sete minutos entre Marcos Moura e ACM Neto. Em seguida, Moura teria retomado o contato com Noman e apresentado uma contraproposta envolvendo outras áreas da administração.

O relatório aponta ainda que o “Bruno” mencionado nas conversas seria Bruno Barral, ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte. Barral havia sido nomeado para o cargo em março de 2024 e permaneceu na função após a reeleição de Fuad Noman.

Ex-servidora de Salvador é citada

A investigação também menciona Flávia Bittencourt, que teria atuado na Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte. Segundo a PF, ela teria participado da montagem de processos relacionados a contratações investigadas.

Antes de atuar em Belo Horizonte, Flávia ocupou o cargo de Gerente Central de Materiais e Patrimônio da Prefeitura de Salvador durante o segundo mandato de ACM Neto, entre 2020 e 2024.

De acordo com o relatório, mensagens extraídas do celular da ex-servidora indicariam que sua indicação para o cargo teria sido aprovada por ACM Neto.

A defesa de Marcos Moura foi procurada para comentar as informações, mas não respondeu, segundo o texto original. Bruno Barral e Flávia Bittencourt também não foram localizados.

Contratos na área da Educação

A PF investiga suspeitas de direcionamento de licitações e sobrepreço em contratos da área de Educação da Prefeitura de Belo Horizonte.

Um dos casos citados envolve a empresa Brasil Sustentável, que atua no mercado editorial e venceu uma licitação para fornecimento de livros paradidáticos. Segundo o relatório, Flávia Bittencourt teria mantido conversas com Alexandre Camargo, representante comercial da empresa, sobre a elaboração do processo licitatório.

As mensagens mencionadas pela PF indicariam discussões sobre preços e a participação do representante comercial na formulação do edital, publicado em 25 de setembro de 2024.

Em 30 de dezembro de 2024, a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte assinou contrato com a Brasil Sustentável no valor de R$ 40 milhões, com vigência prevista de 12 meses.

A investigação também cita contratos com a Iptech Soluções Integradas, no valor de R$ 7,8 milhões, e com a Trinity Tecnologia Educacional, de R$ 54,2 milhões.

Outro contrato mencionado envolve o Grupo Movimenta, no valor de R$ 30 milhões. A empresa LarClean Saúde, dos irmãos Fábio e Alex Parente, também aparece na investigação, com contrato de R$ 24,6 milhões para serviços de controle e combate de pragas urbanas.

Segundo a Polícia Federal, ao menos três contratos analisados na investigação somam mais de R$ 80 milhões. A corporação informou que os fatos podem caracterizar, em tese, crimes contra a administração pública, fraudes em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As empresas citadas foram procuradas por meio dos contatos disponíveis em seus sites oficiais, segundo o texto original, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.

Investigação cita transporte de dinheiro

Outro ponto mencionado no relatório é o suposto transporte de dinheiro em espécie por aeronaves fretadas entre São Paulo e Salvador.

Segundo a investigação, após a vitória da Brasil Sustentável na licitação para fornecimento de livros, um homem identificado como Clebson Oliveira teria viajado de São Paulo para Salvador transportando dinheiro vivo.

O valor estimado pela investigação seria de R$ 5 milhões. A viagem teria ocorrido em 19 de novembro de 2024, com embarque no hangar da empresa VOAR.

Em depoimento à PF, o piloto da aeronave teria relatado lembrar de “cinco ou seis malas” transportadas para dentro do avião naquele dia.

A investigação também identificou uma ligação de aproximadamente três minutos entre Marcos Moura e ACM Neto durante o período relacionado ao voo. Segundo a PF, o candidato e o empresário tiveram 232 contatos entre agosto e dezembro de 2024.

ACM Neto nega envolvimento

ACM Neto nega relação com as irregularidades investigadas pela Polícia Federal. Em manifestação divulgada em 17 de setembro, o candidato afirmou que a divulgação de informações envolvendo o seu nome em esquemas de corrupução, seria uma tentativa de interferência no processo eleitoral e classificou os episódios como “vazamentos seletivos”.

Em nota citada pela imprensa, Neto afirmou que não teria qualquer relação com os fatos investigados e declarou que a decisão do STF de negar a busca contra ele confirmaria a inconsistência das acusações.

A decisão de Nunes Marques, entretanto, deve ser apresentada no contexto correto: o ministro negou o pedido de busca e apreensão contra ACM Neto, mas a investigação da PF continua em relação aos demais envolvidos e aos fatos apurados na Operação Overclean.

 

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ACM Neto aparece em empate técnico na disputa pelo governo

O caso veio a público na reta final da campanha para o governo da Bahia. Na pesquisa Quaest divulgada em 24 de setembro, ACM Neto apareceu com 42% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) registrou 40%.

A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais. Foram entrevistados 900 eleitores entre 20 e 23 de setembro, e a pesquisa foi registrada no TSE sob o número BA-01850/2026.

No segundo turno simulado pela pesquisa, ACM Neto tinha 45% e Jerônimo Rodrigues, 43%, também dentro da margem de erro. Os números representam o cenário registrado no período da coleta e não constituem previsão do resultado eleitoral.

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