quinta-feira, 8 outubro, 2026

EXPEDIENTE | CONTATO

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, admite plano do golpe contra posse de Lula em 2022

Da Redação

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que houve planejamento de um golpe de Estado no fim do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a derrota do então presidente para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. A declaração foi dada nesta quarta-feira (7), durante entrevista ao programa Timeline Gaúcha, da Rádio Gaúcha e reproduzida no site Bahia.ba.

O caso está relacionado à trama golpista investigada após a derrota de Bolsonaro e aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Durante a entrevista, Valdemar também afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), caso seja eleito presidente, concederia anistia ao pai e a presos dos atos do 8 de Janeiro já no primeiro dia de um eventual governo.

Valdemar confirma planejamento de golpe

Questionado sobre a existência de uma articulação para impedir a posse de Lula, Valdemar reconheceu que houve planejamento.

“Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois que está errado e para no meio?”, afirmou.

O presidente do PL, no entanto, fez uma distinção entre planejar e executar uma ruptura institucional. Na avaliação dele, a não concretização da ação afastaria a caracterização de crime.

“Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?”, declarou.

A afirmação contrasta com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da trama golpista. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, em decisão que apontou sua responsabilidade por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Anistia para Bolsonaro e presos do 8 de Janeiro

Durante a entrevista, Valdemar também afirmou que Flávio Bolsonaro concederia anistia a Jair Bolsonaro e a presos dos atos de 8 de janeiro caso chegasse à Presidência da República.

Questionado se o principal objetivo de uma eventual vitória de Flávio seria libertar o pai, Valdemar respondeu inicialmente: “Mas não tem dúvida, ele vai fazer no primeiro dia”.

Em seguida, afirmou que o senador também concederia anistia a pessoas que, segundo ele, estariam presas injustamente.

“Uma anistia imediata para soltar esses 180 infelizes que estão presos”, declarou.

Questionado se a medida alcançaria todos os presos, respondeu novamente: “No primeiro dia”.

Valdemar também afirmou que Jair Bolsonaro não deveria estar preso e classificou a situação como “um crime”.

Posteriormente, ao ser questionado novamente sobre a libertação do ex-presidente como principal objetivo da candidatura de Flávio, o dirigente afirmou que a prioridade seria “tocar o país para frente”.

“Isso vai ser uma das ações que ele vai fazer, vai fazer muitas ações, isso é uma delas. Bobagem, isso é o mínimo”, afirmou.

Presidente do PL diz que planejar não seria crime

Ao defender a anistia, Valdemar voltou a sustentar que o planejamento de uma ação criminosa, sem sua execução, não deveria resultar em punição.

“A lei diz o seguinte: você pode planejar um assassinato e você não assassinou o camarada e não atacou o camarada, não é crime”, declarou.

Na sequência, ele citou os comandantes das Forças Armadas que teriam se oposto à execução de uma eventual ruptura institucional.

“Disseram não, eles fizeram alguma coisa? Não fizeram, não é crime”, afirmou.

A interpretação apresentada por Valdemar, contudo, não corresponde ao entendimento aplicado pelo STF no julgamento da trama golpista, que considerou a tentativa de ruptura institucional entre os crimes pelos quais Jair Bolsonaro foi condenado.

Novo plano golpista em eventual governo de Flávio?

A possibilidade de uma nova articulação semelhante também foi abordada na entrevista. Questionado sobre quem garantiria que um planejamento golpista não voltaria a ocorrer em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, Valdemar inicialmente não descartou a hipótese.

“Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento”, respondeu.

Na sequência, porém, afirmou que não acredita na realização de uma nova tentativa diante das consequências enfrentadas por Jair Bolsonaro.

“Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, completou.

A declaração recoloca a discussão sobre uma eventual ruptura institucional no debate político em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro, especialmente diante da defesa de anistia feita pelo presidente nacional do PL.

Bolsonaro teria influência em eventual governo do filho

Valdemar também afirmou que Jair Bolsonaro não ocuparia formalmente um cargo em um eventual governo de Flávio, mas continuaria tendo influência política.

“Bolsonaro, logicamente, vai dar opinião no governo, não tenho dúvida disso. Mas não vai fazer parte do governo”, declarou.

Segundo o presidente do PL, a participação política do ex-presidente seria importante para a articulação com prefeitos, governadores e apoiadores do partido.

Publicidade

Arquivos