quinta-feira, 8 outubro, 2026

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Bombeiros completam 100 dias de operação com queda de 29% nos focos de calor

Da Redação

A Bahia registrou redução de 29% nos focos de calor em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, mas deve enfrentar condições meteorológicas que podem aumentar o risco de propagação de incêndios florestais nos próximos dez dias. O alerta ocorre no momento em que o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) completa 100 dias de operação florestal, com 189 bombeiros e bombeiras e 44 viaturas dedicados exclusivamente às ações de prevenção e combate.

Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (7) pelo comandante-geral do CBMBA, coronel Aloisio Fernandes, durante reunião do Comitê de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, que acompanha e articula as ações do Governo do Estado.

Segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), as temperaturas máximas podem ultrapassar 42°C em áreas do Vale do São Francisco e do Oeste. A umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 15%, com ausência de chuvas em praticamente todo o estado.

Para o coordenador de Estudos do Clima e Projetos Especiais do Inema, Aldírio Almeida, a combinação aumenta o potencial de propagação das queimadas.

“É uma condição muito propícia para a propagação de incêndios florestais. Na presença de fogo na vegetação, essas queimadas acabam se espalhando facilmente”, alertou.

Regiões entram na “regra dos 30”

O cenário previsto para os próximos dias também preocupa devido à chamada “regra dos 30”, caracterizada pela combinação de umidade abaixo de 30%, ventos acima de 30 km/h e temperaturas superiores a 30°C.

“Nós temos aí os ingredientes nas condições ideais para queima e estamos com quase toda a região nesse tripé”, explicou o coronel Aloisio Fernandes.

Diante da previsão, os órgãos responsáveis intensificaram o monitoramento e as ações em áreas consideradas prioritárias. Entre elas estão a Bacia do Paramirim, Rio Corrente, Rio Grande, Sertão do São Francisco, Sertão Produtivo e Velho Chico.

Para o superintendente de Proteção e Defesa Civil da Bahia, Osny Bomfim Santos, os resultados apresentados durante a reunião indicam efeitos positivos das medidas adotadas.

“Os órgãos do sistema estão atuando intensamente para mitigar os efeitos do El Niño. O monitoramento continuado das ações tem mostrado resultados efetivos”, afirmou.

Bombeiros ampliam ações de combate

Em setembro de 2025, a Bahia registrou quase 20 mil focos de calor. No mesmo mês deste ano, o número ficou abaixo de 15 mil, representando uma redução de 29%.

Apesar da queda, a demanda por combate aumentou. Nos primeiros 100 dias da operação, os bombeiros realizaram cerca de 900 intervenções, contra 547 no mesmo período do ano passado.

De acordo com o CBMBA, o aumento permitiu atender às ocorrências sem demanda reprimida e garantir o combate aos incêndios registrados. A Bahia também permanece abaixo da média nacional de focos de calor, cenário diferente do observado no ano passado.

Nos primeiros 100 dias da operação, os bombeiros percorreram mais de 460 mil quilômetros, consumiram cerca de 53 mil litros de combustível e realizaram 1.452 atividades preventivas.

As ações de combate já alcançaram 107 municípios, o equivalente a mais de 26% das cidades baianas.

“É realmente resultado de um esforço. Eu falo aqui em nome de todos os bombeiros: estamos com dedicação exclusiva aos incêndios florestais, hoje, com 189 bombeiros e bombeiras”, ressaltou o coronel Aloisio Fernandes.

Foto: Mateus Pereira/GOVBA

Saúde acompanha municípios prioritários

Além das ações de prevenção e combate aos incêndios, a área da Saúde também monitora os possíveis impactos das condições climáticas. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) cruza informações sobre decretos de emergência, focos de calor, baixa umidade e altas temperaturas para identificar os municípios prioritários.

Dos nove Núcleos Regionais de Saúde (NRS), cinco já contam com planos regionais de preparação e resposta. Os documentos avaliam a capacidade da rede de atendimento e as vulnerabilidades de cada região.

“A gente ainda tem, pontualmente, municípios em emergência, mas, no geral, estamos na fase de mobilização. Ainda não chegamos à fase de alerta ou de emergência”, explicou o coordenador da Vigilância de Populações Expostas aos Riscos Associados aos Desastres (Vigidesastres) da Sesab, Edson Ribeiro Júnior.

Uma nova medida foi publicada nesta terça-feira (6), com uma portaria que amplia a estratégia estadual de fornecimento de medicamentos para situações de emergência em saúde pública.

“Nessa nova portaria, a gente inseriu um kit de medicamentos específico para seca. Pensamos nas dermatites, ressecamento ocular, intoxicação por fumaça, reidratação oral e venosa, olhando para os agravos que monitoramos e para a forma como podemos apoiar os municípios”, explicou Edson.

A portaria também estabelece um kit específico para surtos de arboviroses, com foco principalmente em reidratação e analgesia. A estratégia prevê estoques de retaguarda nos nove NRS e uma reserva no nível central para atender às demandas dos municípios.

A Sesab também atua com os municípios prioritários na elaboração dos planos de contingência e mantém o monitoramento diário dos alertas meteorológicos e dos impactos sobre a saúde.

Entre os grupos considerados mais vulneráveis estão comunidades rurais, quilombolas e indígenas, crianças menores de cinco anos, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Também recebem atenção os profissionais envolvidos diretamente na resposta, como brigadistas, bombeiros, agentes de saúde e equipes da Defesa Civil.

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