Da Redação
A Bahia deve registrar 4.480 novos casos de câncer de mama em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Desse total, 1.340 casos são previstos para Salvador. Diante desse cenário, especialistas alertam para a importância de investigar rapidamente alterações nas mamas, já que o atraso na avaliação médica pode comprometer a identificação precoce da doença.
Nódulos, mudanças na pele, retração do mamilo e alterações no formato da mama são sinais que precisam de atenção, mesmo quando não há dor. O medo de receber um diagnóstico, a falta de tempo e a crença de que a alteração não representa um problema grave podem levar mulheres a adiar a procura por atendimento.
O alerta é de especialistas do Hospital Estadual de Oncologia Alto Sertão (HEOAS), administrado pelo Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC) e incluído pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) entre as referências para tratamento oncológico, inclusive de câncer de mama.
Para o oncologista Fábio Veloso Alexandrino, diretor médico do HEOAS, é importante desconstruir a ideia de que investigar uma alteração significa necessariamente confirmar a doença.
“Muitas mulheres adiam a investigação porque associam imediatamente a descoberta de um nódulo ou outra alteração ao câncer e têm medo do resultado. No entanto, investigar não significa confirmar a doença, mas descobrir o que está acontecendo e, se houver qualquer suspeita, agir no momento quando as possibilidades de tratamento são maiores”, explica.
Mamografia de rotina e investigação de sintomas
O INCA recomenda o rastreamento mamográfico para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Essa orientação, porém, não significa que mulheres fora dessa faixa etária devam esperar para procurar atendimento ao perceber alterações nas mamas.
A investigação de sintomas suspeitos é diferente do rastreamento de rotina e deve ocorrer independentemente da idade. Diante de uma alteração nova ou persistente, a recomendação é procurar avaliação médica o mais cedo possível.
“Existe uma diferença entre fazer um exame de rotina e investigar um sintoma. Se a mulher percebe uma alteração nova e persistente na mama, ela deve realizar uma avaliação médica o mais cedo possível, quando há uma maior possibilidade de encontrar a doença em uma fase inicial, com um tratamento menos agressivo e resultados mais favoráveis”, destaca Alexandrino.
O especialista também orienta que as mulheres conheçam suas mamas e busquem avaliação profissional ao perceber qualquer alteração persistente ou suspeita.
Salvador tem incidência estimada maior que a taxa estadual
Além dos 4.480 casos estimados para a Bahia, o INCA projeta uma taxa bruta de incidência de 58,54 casos por 100 mil mulheres no estado. Em Salvador, a estimativa é de 94,41 casos por 100 mil mulheres, com 1.340 novos diagnósticos previstos para 2026.
Os dados estaduais sobre internações e mortes também dimensionam o impacto da doença. Até setembro de 2025, a Sesab registrou 2.842 internações e 912 mortes por câncer de mama na Bahia.
O reconhecimento de sinais suspeitos e a procura por atendimento sem demora são medidas importantes para esclarecer a causa das alterações. Caso seja identificado um câncer, o diagnóstico em fase inicial pode ampliar as possibilidades de tratamento e favorecer resultados mais positivos.

