Da Redação
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), atribuiu os atrasos registrados na operação do transporte público da capital baiana neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais, à retirada de adesivos de propaganda eleitoral irregular encontrados em ônibus nas garagens das concessionárias. Em entrevista coletiva, o gestor afirmou que a frota foi normalizada durante a manhã e ampliada para atender à demanda dos eleitores.
Bruno Reis também criticou a tentativa de politização do episódio e saiu em defesa do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, alvo de uma determinação de prisão expedida pela Justiça Eleitoral. O prefeito afirmou que a administração municipal adotou as providências necessárias para garantir o deslocamento dos eleitores.
Segundo Bruno Reis, Salvador já oferecia transporte público gratuito nos dias de votação antes mesmo de a medida se tornar uma obrigação estabelecida pela Justiça Eleitoral. De acordo com ele, o benefício foi disponibilizado em todas as eleições realizadas durante sua gestão e também em pleitos anteriores, sem problemas semelhantes.
“Nós nunca tivemos qualquer problema. Em nenhuma outra operação do serviço público houve qualquer problema. O que está ocorrendo hoje, por quê?”, questionou.
Propaganda eleitoral nos ônibus
De acordo com o prefeito, o problema começou durante a madrugada, quando uma grande quantidade de ônibus chegou às garagens das empresas concessionárias com adesivos de propaganda de um dos candidatos à Presidência da República.
Bruno Reis explicou que a resolução da Justiça Eleitoral que estabelece a gratuidade do transporte público também determina, no artigo 88, parágrafo 3º, que o serviço seja oferecido sem distinção entre eleitores e sem veiculação de propaganda partidária ou eleitoral.
“Na hora da saída dos ônibus da garagem, a grande maioria estava com adesivo de um determinado candidato. E, para cumprir a resolução, os empresários, os donos das empresas, determinaram a retirada dos adesivos. A retirada desses adesivos levou ao atraso da operação”, explicou.
O prefeito afirmou que, assim que a administração municipal percebeu que a retirada do material poderia comprometer a saída dos veículos, determinou que os ônibus fossem colocados em circulação imediatamente, mesmo com a propaganda eleitoral, para evitar prejuízos maiores à população.
Bruno Reis também associou a colocação dos adesivos à atuação de pessoas ligadas ao Sindicato dos Rodoviários, mas ressaltou que ainda não era possível identificar individualmente os responsáveis. Ele mencionou a ligação política histórica da entidade com o PT e defendeu a investigação do episódio.
“Se tiver câmeras nas garagens, algumas têm, tem como identificar. Isso ocorreu durante a madrugada. Eu não posso afirmar quem foram os responsáveis. O sindicato, como vocês sabem, tem vinculação política com o PT, sempre teve. E o que os empresários alegam é que houve propaganda irregular no dia da eleição”, declarou.
Prefeitura afirma que frota foi normalizada
Segundo Bruno Reis, a operação do transporte público foi normalizada por volta das 10h, com todos os veículos necessários em circulação até as 10h30. O prefeito afirmou ainda que determinou a ampliação da frota diante das dificuldades registradas no início da manhã.
“A frota, até as 10 horas da manhã, foi normalizada. E, diante da pressão que está existindo, da tentativa de levar isso para o campo da política, nós determinamos, inclusive, que a frota fosse ampliada. A frota está rodando hoje, no segundo turno, inclusive maior do que nas outras eleições em que nós não tivemos problema”, afirmou.
O prefeito também explicou que a presença de ônibus nas garagens não significa necessariamente descumprimento da determinação de circulação, já que as empresas precisam manter veículos de reserva para atender a necessidades operacionais.
“Não adianta ir agora para a garagem filmar um ou outro ônibus, porque tem ônibus que estão lá e fazem parte da frota reserva. As empresas são obrigadas a ter pelo menos 10% de frota reserva”, explicou.
Bruno Reis acrescentou que Salvador recebeu mais de 330 ônibus novos recentemente, o que também contribuiu para a presença de veículos antigos nas garagens das concessionárias, após serem retirados de circulação.
“O decreto determina que os ônibus devem circular atendendo à demanda. Se houve descumprimento, foi por parte das empresas. A gente não pode afirmar que houve”, acrescentou.
Gratuidade no transporte público
Durante a entrevista, Bruno Reis apresentou os decretos publicados pela Prefeitura para garantir a gratuidade do transporte público nos dois turnos das eleições de 2026. Segundo o gestor, a administração municipal cumpriu as exigências da Justiça Eleitoral e assegurou o benefício aos usuários dos diferentes sistemas municipais.
A gratuidade contemplou ônibus convencionais, BRT, micro-ônibus do Subsistema de Transporte Especial Complementar (STEC), transporte hidroviário municipal e ascensores públicos, incluindo o Elevador Lacerda.
Prefeito defende secretário de Mobilidade
Bruno Reis também contestou a determinação de prisão expedida pela Justiça Eleitoral contra o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. O prefeito classificou a medida como desproporcional, argumentando que o problema operacional já havia sido solucionado e que a Prefeitura tomou providências para garantir o transporte dos eleitores.
O gestor ressaltou que Pablo Souza tem perfil técnico, não possui filiação partidária e acumula experiência na organização de operações de transporte em grandes eventos internacionais.
“O secretário de Mobilidade, Pablo, é um quadro técnico, sem qualquer vinculação político-partidária, sem estar filiado a qualquer partido. Já trabalhou para a FIFA, já trabalhou para a Conmebol, já esteve coordenando operações de transporte público durante a Copa do Mundo e a Copa América”, afirmou.
O prefeito negou que a administração municipal tenha orientado a redução ou a interrupção da circulação dos ônibus.
“Não houve, por parte da Prefeitura, qualquer orientação para que a frota não fosse oferecida. E aí, de forma injustificada, tendo em vista que a operação já foi corrigida, começa a se explorar isso politicamente”, criticou.
Segundo Bruno Reis, Pablo Souza estava na França para cumprir uma agenda institucional relacionada ao transporte público e às negociações para a aquisição de ônibus elétricos para Salvador. A viagem, de acordo com o prefeito, ocorreu após convite oficial e incluiu encontros com autoridades francesas da área de mobilidade.
Bruno Reis afirmou que o secretário deixou as determinações administrativas necessárias para a operação do transporte no segundo turno antes de viajar. O decreto que garantiu a gratuidade, por exemplo, foi publicado no dia 21 de outubro, antes do início da agenda internacional.
Bruno Reis critica polarização política
O prefeito criticou o que considera uma tentativa de transformar um problema operacional em disputa político-partidária. Ele afirmou que sua gestão sempre respeitou os resultados eleitorais e que a prioridade é assegurar o funcionamento dos serviços públicos, independentemente das preferências políticas dos eleitores.
“Vocês sempre me viram distante de qualquer polêmica, de qualquer disputa que esteja estimulando esse radicalismo e essa polarização. Eu sempre fiz gestão e entreguei o melhor para o cidadão. E vou respeitar, seja qual for a decisão do eleitor da cidade de Salvador, da Bahia e do Brasil esta noite, sem questionamento”, declarou.
Bruno Reis também lembrou que a gratuidade do transporte foi oferecida em eleições anteriores, inclusive em disputas municipais acirradas, sem registros de problemas semelhantes.
“Tenho a consciência tranquila de que oferecemos o transporte público, que, mesmo antes de ser uma obrigação, a Prefeitura já fazia isso. Nós nunca tivemos problemas. Quem trouxe problemas hoje? Essa é a pergunta a ser respondida”, disse.
Ao final, o prefeito defendeu que a Justiça Eleitoral verificasse as condições dos locais de votação, incluindo a existência de filas e a situação de eleitores que eventualmente não conseguiram chegar às seções eleitorais. Segundo ele, reportagens publicadas no início da tarde já mostravam ônibus em circulação e o funcionamento do transporte em estações como a da Lapa.


