sábado, 31 outubro, 2026

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Bahia deve registrar 6.540 novos casos de câncer de próstata em 2026

Da Redação

A Bahia deve registrar 6.540 novos casos de câncer de próstata em 2026, sendo 1.070 em Salvador, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O estado lidera a incidência da doença no Nordeste e está entre os quatro com maior número de casos no Brasil, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Em todo o país, a estimativa é de 77.920 diagnósticos neste ano. Os números reforçam o alerta do Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde masculina e à importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata, tipo mais comum de tumor entre os homens, desconsiderando o câncer de pele não melanoma.

A população afrodescendente apresenta maior predisposição ao desenvolvimento da doença. Como a Bahia concentra a maior população negra do Brasil, essa característica também ganha relevância no cenário epidemiológico estadual. Além da maior incidência, estudos apontam que o tumor pode apresentar comportamento mais agressivo nesse grupo.

De acordo com o oncologista André Bacellar, da Oncoclínicas, a resistência de parte dos homens aos exames preventivos ainda representa um obstáculo para identificar a doença em estágios iniciais.

“Uma parcela dos homens ainda rejeita os exames de rastreamento, como o exame de toque retal, que possibilita o diagnóstico precoce”, afirma.

A oncologista Carolina Rocha, também da Oncoclínicas, destaca que o preconceito e a falta de informação dificultam o enfrentamento da doença. Segundo a médica, quando o câncer é identificado e tratado precocemente, as chances de cura podem chegar a 90% a 95%.

Câncer de próstata: fatores de risco e sintomas

A idade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata. Também estão associados à doença o tabagismo, a obesidade, o sedentarismo, a alimentação inadequada e o histórico genético e familiar.

Homens afrodescendentes também apresentam maior predisposição. No caso de pessoas com parentes de primeiro grau diagnosticados com a doença, o risco é significativamente elevado.

“Há um risco 2 a 3 vezes maior de desenvolver a doença para homens que têm pai ou irmão diagnosticados com câncer de próstata”, afirma André Bacellar.

Um dos principais desafios é que o tumor geralmente não apresenta sintomas nas fases iniciais. Por isso, a avaliação médica e os exames de rastreamento podem contribuir para identificar alterações antes do aparecimento de manifestações clínicas.

“O tumor, geralmente, não apresenta sintomas no início e, por isso, os exames de rastreamento são os principais aliados para impedir um diagnóstico tardio, quando as chances de sucesso do tratamento são reduzidas”, explica Carolina Rocha.

Quando os sintomas aparecem, podem incluir dificuldade para urinar, dor ou ardência durante a micção, gotejamento prolongado ao final do ato e aumento da frequência urinária durante o dia ou à noite.

“Mesmo pacientes mais jovens e sem fatores de risco devem ter atenção aos sinais e procurar ajuda especializada para investigar o quadro”, esclarece André Bacellar.

Em estágios mais avançados, também podem ocorrer sangue no sêmen, impotência sexual e dores ósseas, especialmente em situações de metástase, quando o câncer se espalha para outras partes do organismo.

Hábitos que ajudam na prevenção

A adoção de hábitos saudáveis contribui para a proteção da saúde masculina. Entre as medidas recomendadas estão a prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado e uma alimentação equilibrada.

Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes e carnes magras, com redução do consumo de alimentos ultraprocessados, também integra os hábitos considerados protetivos.

Embora essas medidas favoreçam a saúde, elas não eliminam o risco de desenvolvimento do câncer de próstata. Por isso, o acompanhamento médico continua sendo importante, especialmente para homens que apresentam fatores de risco.

Diagnóstico: quando procurar avaliação médica?

A orientação apresentada pelos especialistas é que homens a partir dos 50 anos procurem um urologista para uma avaliação individualizada. A definição sobre a realização dos exames considera fatores como idade, histórico familiar, etnia e condições gerais de saúde.

A investigação costuma envolver a combinação do exame clínico, por meio do toque retal, e do teste de antígeno prostático específico (PSA), realizado por meio de uma coleta de sangue.

Para homens com histórico familiar da doença, afrodescendentes e outros grupos com fatores específicos de risco, a avaliação pode ser antecipada para os 40 ou 45 anos, conforme orientação médica.

Outro aspecto importante é que o PSA, isoladamente, não identifica todos os casos da doença. Estima-se que 20% dos pacientes com câncer de próstata, ou seja, um em cada cinco, apresentem níveis considerados normais no exame, situação conhecida como falso-negativo.

Por esse motivo, o toque retal e exames de imagem, como a ressonância magnética, podem ser importantes na investigação de alterações que não aparecem apenas no resultado do PSA.

“O exame de toque dura 5 a 15 segundos e pode salvar vidas, é um exame que pode detectar alterações que não conseguem ser identificadas apenas pelo exame de PSA”, finaliza André Bacellar.

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