terça-feira, 24 fevereiro, 2026

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Terminal Aquidabã perdeu o sentido e acabou abandonado

O terminal de ônibus que já foi um dos mais importantes agora é abrigo para moradores de rua.

Se fosse possível se referir à crise de identidade de um equipamento  urbano, se poderia dizer que a Estação, ou terminal do Aquidabã, no início da Baixa dos Sapateiros passa por esse processo.Ali já foi um dos principais terminais urbanos, e depois metropolitano, da região central de Salvador, mas que hoje não se sabe o que realmente é, pois nem ônibus tem mais, pesar das baias, abrigos e estrutura para tal.

Inaugurado em março de 1979, já se vão 39 anos em que o terminal passou por várias reformas, a última delas em 2014, período da Copa do Mundo, a Estação do Aquidabã chegou a ter um movimento diário de quase 10 mil passageiros. Hoje é um ponto de passagem entre a Sete Portas e a Barroquinha, abrigo para moradores de rua e usuários de drogas, e resistência de 12 permissionários, que terceirizar em os Box e sobrevivem ao pouco movimento de pessoas.

Dos poucos comerciantes que ainda restam, Vânia Pereira se diz “ousada”, por ter investido pouco mais de R$ 1 mil para equipar um dos Box com geladeira, fogão e filtro. E diz que fez isso por necessidade de sustentar a família. “A gente fica aqui até no máximo 15 horas, pois depois disso fica deserto e um perigo para comerciantes e o público”, diz. Ela paga R$ 300 de aluguel, cujo proprietário não revela o nome, e diz que a pouca clientela que tem, vendendo almoço, são de antigos comerciantes da área.

Para evitar vandalismo e até mesmo furtos nos poucos equipamentos que ainda funcionam, funcionários da Prefeitura  colocaram arame farpado no teto de todos os boxes da estação. “As pessoas fazem isso aqui de moradia e muitos deles estavam guardando seus objetos no teto dos boxes, ali fazendo cama e quarto”, disse um funcionário. Outro foi mais além, ao afirmar que usuários dos pontos de ônibus são constantemente ameaçados por usuários de drogas que ocupam a estação a partir do final da tarde. “Quem não ficar ligado é roubado e até agredido”, emendou.

Projeto

A presidente da Fundação Mário leal Ferreira, a mestra em Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Tânia Scofield Almeida, disse que não existe ainda um projeto definido sob re o que vai ser o antigo terminal do Aquidabã. “Realmente, ali existe uma crise de identidade, pois a nossa maior dificuldade é encontrar  uma funcionalidade pára o equipamento, considerado estratégico e de suma importância para a região da Baixa dos Sapateiros”, disse.

Segundo disse o Aquidabã vai ficar a meio caminho de dois importantes  projetos, o de restauração do Mercado de São Miguel e Terminal da Barroquinha, e a requalificação da Rua Cônego Pereira, que é a ligação do Largo dos Dois Leões ao início da rua J.J. Seabra. Os dois primeiros deverão ser iniciados em janeiro e março do próximo ano, respectivamente. Já a Cônego Pereira, com um custo de R$ 23 milhões, até o final deste ano.

Na ligação entre os Dois Leões e o Aquidabã (início da Baixa dos Sapateiros), estão previstas a implantação de obras de urbanização, com macro e micro drenagem, ciclovia, melhoria dos pontos de ônibus. Tânia Scofield diz que projeto já foi definido e encaminhado para a Sucop (Superintendência de Obras Públicas do Salvador )  que já licitou a obra. “E é ai que está o nó que precisamos desatar, que é encontrar uma funcionalidade para o antigo Terminal do Aquidabã”, diz.

O que é ou foi

A Estação de ônibus do Aquidabã, foi inaugurada em março de 1979, com uma área de 87.900 metros quadrados e uma área coberta de  3.770 metros. Chegou a possuir três linhas urbanas, e 37 linhas de passagens, que posteriormente foram acrescidas de linhas metropolitanas. Doze boxes foram implantados, dispondo de sanitários públicos, posto policial,  uma agência de banco popular e 15 telefones públicos, e um movimento diário de quase 10 mil pessoas.

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