quarta-feira, 25 fevereiro, 2026

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A construção da identidade nacional

Violência e Desemprego, Desigualdade Social, Saúde, Educação, Habitação, desempenho da Economia… Estamos no mesmo barco, em pesem desigualdades. É hora de escolher tanto um caminho quanto um modo de navegar. É imprescindível o estabelecimento e consecução de avanços na área social para, ao menos, minimizar a persistência dos muitos problemas que afetam, direta ou indiretamente, a vida de todos brasileiros.

Segundo Lev Vygotsky o desenvolvimento humano se dá nos níveis cultural, interpessoal e individual. Para ele, os dois primeiros são mais relevantes, pois nada está dissociado do conjunto civilizatório. Para construir um país, é necessário aprender e ensinar a construção da identidade nacional, que somente pode decorrer de uma educação centrada no curriculum e na aprendizagem colaborativa entre todos, para a solução de problemas comuns.

Nesse sentido, Maurice Tardif (Saberes docentes e formação profissional, Vozes, 2002) constata que o saber dos “professores” se dá na confluência de saberes da universidade e da sociedade, das escolas em geral e também dos outros atores educacionais ao lado dos saberes da formação que são imbricados por concepções éticas e valorativas e postulados didáticos obtidos através das experiências compartilhadas [com o processo civilizatório, acontece o mesmo, em escala ainda maior e mais impactante].

Através da alegoria acima, urge fortalecer a formação educacional e qualificação profissional do povo brasileiro para diminuir as excessivas desigualdades que nos distanciam da elevada qualidade de vida experimentada pelos países escandinavos e “escandinavizados”, conforme terminologia adotada por Luiz Flávio Gomes. Logo, a construção da identidade nacional deve ser o reflexo de uma nítida compreensão de como se opera a Economia e para onde se pretende conduzir a democracia brasileira, o que jamais obterá êxito através de arroubos, amadorismos ou improvisações aquém do status civilizatório atual, pois decorrentes do nível de escolaridade dos agentes ou, ainda, de autodidatismo comprovado no trato desses temas cruciais.

Não vale, portanto, a total falta de domínio do que se encontra em jogo. O segundo turno das eleições presidenciais se aproxima. Vamos aprofundar, com método e preparo, o nosso projeto de país. Para Jerome Bruner, a autoeducação parte da apresentação simples e intuitiva de uma ideia, mas deve ser seguida por níveis mais sofisticados de reconstrução formal, vinculados a sólidos conhecimentos sobre qualquer coisa, o que torna possíveis as escolhas acertadas resultantes “do que se pode fazer com o que efetivamente se sabe”. Saiba, portanto, que o acerto está bem acima da pretensão delirante de forjar mundos “melhores”, mas inviáveis na prática.

*Taurino Araújo advogado criminalista, escritor, Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais. academico@taurinoaraujo.com

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